The Dead Lover’s Twisted Heart by http://www.coquetelmolotov.com.br

2009-05-14 12:45

The Dead Lover’s Twisted Heart
Palavras: Bonifrate (Supercordas) | Foto: Divulgação em 24.03.2009


 

Em janeiro de 2007, fomos tocar pela primeira vez em Belo Horizonte. Um fim de semana acabou virando uma semana, e acho que até hoje não voltamos de lá de fato. Posso dizer que a culpa dessa esbórnia utópica e interminável é quase que inteiramente dos nossos anfitriões no palco d’A Obra: os Dead Lover’s Twisted Heart! Era tempo de pais viajando e férias universitárias: interiores sendo devidamente aproveitados para a velha sociabilidade beatnik, pequenas festas homéricas e, acima de qualquer coisa, música!

E foi um tentáculo poderoso desta mesma música que vimos descendo as escadas d’A Obra durante a incrivelmente esperada apresentação dos DLTH. Uma cidadela inteira de Filhos do Grande Magneto se acotovelavam, se esfregavam e se amavam dentro dos suados limites da histórica casa mineira enquanto Ivan, Guto, Velvs e Pat projetavam uma anarquia de guitarras folclóricas, cadências robóticas do delta e mensagens dionísicas proferidas no idioma del grão rei Elvis. O mar de loucura que se seguiu a esta primeira impressão demonstrou por A+B que os Lovers são algumas das figuras mais insanamente bacanas que conhecemos nestes últimos anos.

Aqui, os Lovers discorrem sobre a gravação de um novo disco, free, freak e anti folk, e muito mais.


"A idéia era muito simples no começo, tocar as nossas músicas o mais alto possível e nos divertirmos o mais loucamente possível. E ainda é!"

Qual é a sua música favorita do Daniel Johnston?
Daniel Johnston já gravou muita coisa nessa vida, não é? Nos anos 80 ele escrevia músicas uma atrás da outra... Um folkie de primeira: três acordes no violão, às vezes uma harmonia um pouquinho mais complicada no piano, uma melodia bonita com pinta de clássico, e uma letra melancólica e auto-irônica, maravilhosa. Era muito natural e, poxa, ele escreve músicas até hoje... Talvez a favorita seja o clássico “True Love Will Find You in the End” (que tem o verso:“true love is searching too but how can it recognize you unless you step out into the light?”, bonito demais, né?). Mas você já viu a letra da “Dead Lover’s Twisted Heart”?
 
Como vocês eram na adolescência?
Quando nos conhecemos nessa época, dos 16, 17 anos, éramos de uma turma enorme, todos cabeludos. O pessoal tinha umas bandas de punk rock sensacionais aqui em BH e íamos juntos aos shows. Mas éramos muito misturados, meio confusos, e da mesma forma que curtíamos o Yes, curtíamos os Dead Kennedys, e os filmes do Bergman. A Pat, nós conhecemos um tempo depois, nos shows da Diesel, ou antes até, na “cena” hardcore de BH, que foi outra parada que juntou muita gente por aqui.
 
E como vocês se juntaram para formar o DLTH?
Antes a banda era formada por Ivan, Velvs, Guto e Marcelo na bateria. No fim de 2006, gravamos o EP demo na casa do Velvs, totalmente independente, com dois canais. Juntamos os amigos e os equipamentos que tínhamos e nos enfurnamos nessa casa durante um mês. Foi assim que surgiu o EP What is it for?, que está na internet. Entretanto, nessa época ainda não havíamos definido nome, tínhamos poucas músicas e nunca havíamos tocado ao vivo. Logo após as gravações, ainda no processo de mixagem, o baterista Marcelo decidiu sair da banda. Foi então que na porta de um clube aqui de BH encontramos a Pat por acaso. Ela tinha uma banda e tocava bateria. Começamos a ensaiar e a partir daí surgiu o DLTH.
 
É legal ter uma menina na bateria? Adris do Harry Pussy ou Moe Tucker do Velvet Underground foram fonte de inspiração?
Acreditamos que o interessante foi a diferença de estilo em relação ao antigo baterista. São outras referências, outra sensibilidade, assim como a pegada que também variou. Em função dessa mudança, a Pat teve total liberdade para trabalhar as músicas, fazer novos arranjos, colocar um pouco da cara dela na nova fase que acabou virando o DLTH. E isso é ótimo porque cada um de nós tem sua própria referência e estilo, e tudo isso acaba sendo somado ao nosso som. Pat sempre diz que os bateristas que a inspira são John Bohan e Cindy Blackman.
 
Fiquei sabendo que as apresentações estão melhorando...
We’re getting better all the time, baby! Começamos muito cru, é verdade. Mas a idéia era muito simples no começo, tocar as nossas músicas o mais alto possível e nos divertirmos o mais loucamente possível. E ainda é! Por isso mesmo sempre tentamos renovar o nosso show. Por outro lado, tem um conhecimento aí que é de estrada, de conhecer os equipamentos, saber se adaptar a qualquer (qualquer mesmo) situação de palco, amplificador, voz, retorno. Você pode tocar muito bem, mas você tem que entender de equipamento para tirar um som legal no palco, isso estamos aprendendo.
 
Depois da síndrome do filme Juno e da cantora Mallu Magalhães, vocês têm medo do que pode acontecer com o futuro do folk rock?
Bem, na verdade a gente vê o nosso som mais próximo dessas versões livres do folk que vem surgindo, e que, aliás, talvez seja forma mais comum na qual o folk vem voltando à tona: o free folk, o freak folk, o anti-folk... É o que chamam da “new weird America” e esse nome é ótimo, afinal esses artistas do novo folk são todos meio outsiders americanos, doidões que fazem um som livre, às vezes bem simples, mas sempre com vida. Nesse sentido, sentimos uma identificação muito grande com gente do tipo Moldy Peaches, Sufjan Stevens, Danielson, Neutral Milk Hotel, CocoRosie. É um povo muito estranho na verdade, e se você nos contasse há dois anos que “Anyone Else But You” do Moldy Peaches iria virar um hit mundial por conta de um filme meio low-fi tipo Juno, blá, não acreditaríamos. Mas isso é bom! Talvez o mundo (ou uma boa parte dele) tenha cansado daquela tiração de onda meio Motley Crue da parte dos artistas e talvez queira mais Moldy Peaches. Mais honestidade. A Mallu também está nesta dança.
 

Que tipo de bêbados são vocês?
O Guto é um bêbado alto astral, Velvs costuma dançar só de cueca, o Ivan é um bêbado ranzinza e a Pat é quem dirige o carro conosco de volta prá casa, sem carteira.

Website: www.myspace.com/thedeadloverstwisteheart

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