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Data: 2009-05-11

De: Teatro da Cerca de São Bernardo

Assunto: “Dilatação do Tempo Presença: oficina sobre a consciência do actor em cena”

Workshop com Teatro o bando - inscrições abertas




No âmbito da residência REN do Teatro o bando em Coimbra, que decorrerá entre 17 e 24 de Maio, A Escola da Noite organiza um workshop para actores, com a duração de dois dias, dirigido por João Brites.
Intitulado “Dilatação do Tempo Presença: oficina sobre a consciência do actor em cena”, o workshop terá lugar nos dias 21 e 22 de Maio (quinta e sexta-feira, das 10h00 às 18h00), no Teatro da Cerca de São Bernardo.
Consulte o documento em anexo (.doc ou .pdf) e envie a sua candidatura para A Escola da Noite até ao próximo dia 15 de Maio. As inscrições são limitadas e sujeitas a selecção.





Workshop
“Dilatação do Tempo Presença:
oficina sobre a consciência do actor em cena”

Coimbra, Teatro da Cerca de São Bernardo
21 e 22 de Maio, 10h00-18h00





FORMADORES:
João Brites com apoio de Sara de Castro

DESTINATÁRIOS:
actores e actrizes profissionais e alunos finalistas de ensino artístico

APRESENTAÇÃO:
João Brites tem vindo a desenvolver, nos últimos anos, a partir da sua experiência como professor na Escola Superior de Teatro e Cinema, uma reflexão e prática acerca do trabalho do actor que designa de Consciência do Actor em Cena.

Esta Formação debruçar-se-á sobre a primeira das etapas desse mesmo estudo, a Dilatação do Tempo Presença. Em virtude de o tempo de formação ser curto, tentar-se-á fazer uma sensibilização a algumas noções utilizadas como ferramentas da Consciência do Actor em Cena. De modo a explorar e desenvolver essas capacidades, os exercícios procurarão explorar os diferentes planos de expressão (corporalidade, oralidade e interioridade). Este é um trabalho baseado, numa primeira fase, numa grande economia e contenção, recorrendo a sensações concretas e à vivência do tempo presente.

Trabalhar-se-á, numa primeira aproximação a este vocabulário cénico, sobre direccionalidade e qualidade do olhar, tendo em conta o ponto de fuga. Desenvolveremos também noções como o foco do espectador e o foco do actor, bem como o comentário cénico.

Ao longo da Formação experimentar-se-ão diferentes exercícios cénicos onde o acaso e as coincidências desempenham papéis tão importantes como as motivações conscientes. Estes exercícios pretendem também despertar, através da dramaturgia do actor, a consciência da gestão do tempo cénico.

Tratando-se de uma Formação para actores profissionais, procurar-se-á também, e em paralelo, ir reflectindo sobre os pressupostos artísticos motores do trabalho. Este trabalho técnico estará, portanto, sempre aliado a um trabalho sobre os conteúdos.


INSCRIÇÕES:
envio da Ficha de Inscrição (.doc ou .pdf) e de curriculum vitae para A Escola da Noite (Teatro da Cerca de São Bernardo, 3000-097 COIMBRA, geral@aescoladanoite.pt ou fax 239 703 761). Serão consideradas todas as candidaturas entregues até às 19h00 do dia 15 de Maio.


PREÇO: 40,00 Euros (IVA incluído)
INFORMAÇÕES: 239 718 238

Blog

2009-08-13 09:35

Vários at indienation.blogspot.com/

Pegando Uma Cor

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Vida de queridinhos da crítica não é assim tão fácil. O HEALTH, que lançou seu álbum auto-intitulado há dois anos com uma cota farta de elogios, tem agora uma matilha de lobos à espera de um tropeço. Confiando no seu taco, o quarteto californiano chega ao segundo semestre de 2009 com uma versão mais encorpada do seu fragmentismo pós-Boredoms em "Get Color" (Lovepump United, 2009).

No conta final, o novo trabalho tem quatro minutos a mais e duas faixas a menos que o anterior. Com excessão da fantástica Perfect Skin, nenhuma faixa de "HEALTH" chegava muito além dos três minutos e meio. "Get Color", por sua vez, traz composições mais longas, sinal de que houve empenho na intenção de torná-las mais harmoniosas. Mesmo que a ruidosa In Heat teime em dizer o contrário, o já bem sucedido single Die Slow confirma a suposição. A primeira faixa mantém os ataques percussivos e a distorção descontrolada que deram as cartas no primeiro álbum. A segunda, mais descontraída (nos termos do HEALTH), surfa na onda da boa recepção de "HEALTH//DISCO", coleção de remixes lançada no ano passado, abusando de sintetizadores. Dá pra continuar no jogo da bipolaridade usando como exemplo as duas faixas seguintes: Nice Girls é comandada pela faceta mais violenta do HEALTH. Já a impressionante Death +, mesmo longe da normalidade, recorre ao lado mais dançante do math-rock lembrando vagamente Atlas, do Battles.

Mostrando disposição incomum, o álbum continua enfileirando momentos de pura catarse, com destaque para as duas últimas faixas. Primeiro, a monumental We Are Water coloca o ouvinte na pista de dança do Belzebu, quando sua cadência rítmica frenética chega a níveis insanos. Após o apocalipse, a climática In Violent surpreende outra vez dando-se ao luxo de deixar de lado a poderosa máquina percussiva que tem a disposição. As nove audaciosas composições de "Get Color" mostram que Duzsik, BJ Miller, John Famiglietti e Jupiter Keyes não só saíram ilesos da cilada em que se meteram com sua corajosa estréia. Eles pavimentaram um caminho para ir além, o caminho de uma banda sem limites. E é exatamente disso que a música está precisando agora.

HEALTH - Get Colors - 89
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Experimental/Noise
IN Picks: We Are Water, Death+, Die Slow
Pra quem gosta de: No Age, Battles, Liars







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Ago
07

É reconfortante e assustador...

... quando você percebe o quanto você é pequeno. Eu sei, é importante se valorizar. Sei também nosso próprio instinto de sobrevivência alimenta nossa falsa impressão de que nós somos muito grandes. Mas não somos. Cada um de nós é somente mais um. E por perceber isso, agora eu me sinto completamente superior a todos vocês, seus losers sem cultura!

 

Ago
06

Baixando o Pinto


Com muito carinho, gostaria de introduzi-los (1) ao Pinto, banda de um homem só comandada pelo sueco Andreas (siga a lógica: banda de homem só, homem de um nome só). O nome pode parecer atrevido para nós, que falamos português. Porém, o nome inusitado faz todo o sentido, afinal na Suécia tudo é a maior Suécia (2). No seu site oficial, Andreas diz que "o Pinto cresceu (3) a partir de sementes de frustração e se transformou numa delicada flor de radiante música pop". Não se sabe muito sobre as durezas (4) enfrentadas pelo compositor, mas a frase deve ter um fundo de verdade, pelo menos na segunda parte: "Hook Me Up" (Krusty Still, 2007) segue mesmo a tradição da forte cena indie pop local.

De cara, o Pinto põe pra fora (5) suas influências. Usando as palavras do próprio novamente, o Pinto soa como "um cruzamento entre ABBA e Nick Drake". O ABBA é a instituição máxima da música na Suécia, assim como o Roberto Carlos, no Brasil. Sendo assim, qualquer sueco usa o exemplo para explicar que faz música pop. Então junte música pop, simplesmente, com Nick Drake (algo da sua voz característica, violão no centro...) para ver que o tal cruzamento pode ocorrer fora da cabeça de um cara meio gozadinho (6). Curiosamente, quando deixa a paixão pelo trovador inglês à mostra é o que o Pinto se torna mais imponente (7): What Is A Liar é tão bonita que chega a machucar por dentro (8).

Suecos, todos sabem, são ensinados a escrever melodias já na creche e com Andreas não poderia ser diferente: Iron & Rust, dueto com a cantora folk Anna Järvinen, mostra que o Pinto está afiado (9) no assunto. Em outros destaques como We Breathe Too Much e This Picture Needs A Fame, Andreas lembra o projeto paralelo de Mac McCaughan, o Portastatic. Há também uma inevitável comparação com Robert Pollard, não só pela curta duração das canções: na melosa (10) I Belong To You é possível ver o velho professor no microfone. O problema do Pinto é que às vezes ele é muito cabeçudo (11): as idéias repetidas fazem algumas canções da parte final perderem seu efeito, como a tola Hard Inside The Heart.

Se você parar para contar, verá que foram citados cinco destaques positivos e apenas um negativo. O saldo é de 5 contra 1 (12)! Então libere-se de conceitos medievais e caia de boca (13) nesse belo exemplar do indie-pop sueco. Será um entra e sai frenético (14) no seu player. OK, OK, chega...


Pinto - Hook Me Up - 69
Ano: 2007
Origem: Suécia
Gênero: Indie Pop
IN Picks: Iron & Rusty, This Pictures Needs A Frame, What Is A Liar
Pra quem gosta de: Portastatic, Pelle Carlberg, Club 8






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Ago
05

IndieNation Repórter





Boa Noite.
Hoje, o IndieNation Repórter investiga a dura vida de um blogueiro nas grandes cidades. Como conviver com os perigos em cada esquina? Como lidar com as ameaças das grandes organizações? Quem sofre mais, o homem ou a mulher? É o que você vai ver, a partir de agora, no IndieNation Repórter.








Nossa reportagem começa com uma denúncia sobre perseguição, ganância e preconceito. Tudo começou numa inocente pergunta, feita por um leitor não muito comum de codinome Piano Black. O rapaz gostaria de saber de que site a imagem que ilustrava o post teria sido retirada. O print do comentário, você confere abaixo:

Não, essa imagem não. Essa aqui:

O blogueiro, que prefere manter sua identidade preservada, respondeu cordialmente mas sem dar maiores detalhes. Foi o suficiente para que algumas horas depois as ameaças se tornarem cada vez mais fortes.

Num depoimento exlcusivo, o blogueiro conta como tudo aconteceu (como nós não possuímos aquele aparelho disfarçador de vozes, leia com voz de pato para tornar a experiência mais real):

"Primeiro eles mandaram eu mudar o nome da minha seção de fotos engraçadas (faz sinal de aspas), que faz referência a uma seção do sítio principal dessa organização. Logo depois, disseram que eu sofreria duras consequências. Como eu estou numa atividade praticamente ilegal, resolvi mudar o nome da seção para "se/folder", o que mantém a característica fonética original e ainda manda uma resposta a esses terríveis ameaçadores. É um nome irônico, igual o nome daquela banda inglesa, o Cansei de Ser Sexy"

Não registramos o sinal de aspas quando o blogueiro pronunciou inglesa. Nem quando pronunciou banda. Registramos sim, o medo e pânico do homem de bem diante da falência do poder público na internet. No próximo IndieNation Repórter, nós vamos investigar a vida sexual dos blogueiros. Ela realmente existe ou é um mito? E quem faz mais posts pagos, o homem ou a mulher?

Boa Noite.

 

Clipping #03






- A apresentação carioca do Beirut será mesmo no Teatro Oi Casa Grande, como confirmado pelo site da casa. Houve divulgação afirmando que o ínicio das vendas seria no dia 03 (anteontem), mas ainda não há venda virtual, nem na bilheteria. Aguarde maiores informações. Para o show em Salvador, as vendas já começaram. Em São Paulo, ainda não há nem mesmo a confirmação oficial de que haverá uma apresentação. Enquanto isso, uma nova composição de Zach Condon dá o ar da graça: é a instrumental The 11th Arrondissement, décima primeira faixa da trilha sonora de Paper Heart. Ouça:





- A Rádio Pública Americana colocou "My Old Familiar Friend", novo trabalho de Brendan Benson, para streaming no seu site. Para ouvir, clique aqui.



- Relaxe e libere seus pensamentos. Agora imagine uma composição inspirada na invasão de Cuba em 1961. Gênero? "Ambient Disco". Duração? 14 minutos. Esqueci de dizer que o compositor é Daniel Bejar, também conhecido como Destroyer. Parece bizarro demais para ser verdade, mas é. Bay Of Pigs é o lado A do EP de mesmo nome que o canadense lança no próximo dia 18. Ouça com responsabilidade:





- A dupla King Of Convenience lança disco numa data qualquer desse segundo semestre. Enquanto "Declaration Of Dependence" não vem, duas faixas já circulam pela rede, seguindo o mesma linha de "Riot On Empty Street". Baixando esse arquivo compactado, você poderá ouvir as agradáveis Boat Behind e Mrs. Cold.




- VIDEOS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO


YO LA TENGO - PERIODICALLY DOUBLE OR TRIPLE



ANDREW BIRD - ANONANIMAL (Série Cemetary Gates - Pitchfork TV)

 

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Ago
04

Não Bastaram Os Ouvidos...


"A banda mais barulhenta de Nova Iorque" está de volta. Em 2007, centenas de resenhas usaram a expressão "a banda mais barulhenta de Nova Iorque" para descrever o trio insano formado por Oliver Arckermann, Jono MOFO e Jay Space. Dois anos depois, "a banda mais barulhenta de Nova Iorque" entitula seu novo trabalho sugestivamente, implorando para que todos blogs, sites e revistas repitam que A Place To Bury Strangers é "a banda mais barulhenta de Nova Iorque". Já está com dor de cabeça de tanto ler "a banda mais barulhenta de Nova Iorque"? O IndieNation só está te preparando para o que virá...

"Exploding Head" (Mute, 2009) é o título do novo álbum da band... do power trio shoegazer. De cara, o ouvinte fica tentado a enxergar mudanças no norte musical, já que a dupla It Is Nothing e In Your Heart (apesar de nascerem tão barulhentas quanto as irmãs) guarda alguma semelhança com bandas mais maleáveis (Ride e Joy Division, respectivamente). Lost Feeling, no entanto, não nega a vocação com seus 5 minutos de barulho ensurdecedor, não recomendáveis para quem usa fones de ouvido. Mas o aperfeiçoamento do ambiente quase intransponível criado para o primeiro disco é perceptível: despida da distorção brutal, Deadbeat poderia tranquilamente frequentar pistas de dança. Keep Slipping Away é ainda mais direta, com melodia oitentista inspirada em Depeche Mode.

Só não tente ir aumentando o volume. A chance de ruídos eternos no seu ouvido são enormes se a absurda Everything Always Go Wrong rodar próxima do volume máximo. Ao contrário da faixa-título, que assusta no nome, mas pode ser encaixada na mesma categoria de Keep Slipping Away: melodia comparável a qualquer grande nome do synth-pop mas instrumental duro, inspirado no irmão mais sujo do gênero, o post-punk. Enquanto a brutalidade chega a níveis descontrolados em I Lived My Life To Stand In The Shadow Of Your Heart, dá pra pensar naqueles discos que a gente recomenda que sejam apreciados com fones de ouvidos. Porque a recomendação aqui é exatamente oposta: para o bem da sua saúde mental, não ouça "Exploding Head" com fones de ouvido. Jamais.


A Place To Bury Strangers - Exploding Head - 81
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Shoegaze/Industrial/Noise
IN Picks: Keep Slipping Away, Deadbeat, I Lived My Life To Stand In The Shadow Of Your Heart
Pra quem gosta de: Suicide, Serena-Maneesh e The Jesus And Mary Chain







A PLACE TO BURY STRANGERS - KEEP SLIPPING AWAY


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Ago
03

Barbas Lo-Fi


Os cabelos e a barba do vocalista Jesus Cris... quer dizer, Ryan Grubbs, denunciam que o Ganglians gosta das coisas ao natural. E a banda da Califónia faz mesmo parte dessa nova leva de psicodelismo folk lo-fi que engloba bons nomes como Kurt Vile e Ducktails. "É música para "acid-takers" (a tradução soaria estúpida)... mas sem todas as óbvias armadilhas do psych drone (outra tradução desnecessária)" disse Grubbs, ao tentar descrever seu próprio trabalho e, sem querer, explicando o motivo do sucesso de "Monster Head Room" (Woodsist, 2009).

Os menos de trinta segundos em que Something Should Be Said se esconde são suficientes para revelar a verdadeira intenção do Ganglians: soar como Beach Boys, não importando o recipiente musical. É o que Voodoo, logo em seguida, prova com mais eloquência, misturando os coros característicos dos clássicos de Brian Wilson a uma melodia dançante cravada por um baixo inspiradíssimo em Talking Heads. Surge então a quase insossa Lost Words, lembrando o completamente insosso Fleet Foxes e deixando no ar uma certa desconfiança, exterminada no ritual barulhento que marca a insana Valient Brave, melhor faixa do álbum. A segunda parte de "Monster Head Room" é iniciada com dois momentos de destaque no EP auto-intitulado, lançado um pouco antes do disco cheio. The Void e a explosiva 100 Years formariam juntas um buraco negro musical, num momento de total escape da realidade. Mas no meio delas, a calmaria do campo em To June não deixa o ouvinte ser carregado para o espaço.

Duas canções pastorais (Cryin' Smoke e Modern African Queen) precendendo mais um surto Beach Boys em Try To Understand, finalizam o álbum reafirmando a capacidade do grupo para moldar diferentes formas de expor suas influências. Poderia ser só mais um lançamento lo-fi da fábrica Woodsist, mas a habilidade em aparar arestas comuns do gênero faz desse um dos trabalhos mais interessantes de 2009.


Ganglians - Monster Head Room - 80
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Fuzz Folk/Lo-Fi/Psychedelic
IN Picks: Valient Brave, 100 Years, Try To Understand
Pra quem gosta de: Neil Young, Ducktails, Beach Boys








GANGLIANS - VALIENT BRAVE

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Os Outros #1

- O ótimo Lazer Guided Melodies colocou uma bela mixtape no ar, no último dia 28.


1. Cessna, "Go Easy Gavin"
2. Evie Sands, "Crazy Annie"
3. Gloria Scott, "(A Case Of) Too Much Lovemakin'"
4. The Colourfield, "Thinking of You"
5. Aberdeen, "Sink or Float"
6. Saint Etienne, "Sylvie"
7. Cinnamon, "Maybe In The Next Life"
8. Pelvs, "Even If The Sun Goes Down (I'll Surf)
9. Makin' Time, "The Girl That Touched My Soul"
10. The Wild Swans, "Northern England"
11. Ride, "From Time to Time"

Mais uma compilação que fiz e essa foi bastante trabalhosa. Achar algo que seja do nível de "Sylvie" do Saint Etienne foi realmente difícil, demorei uns dois meses, sem brincadeira. Nada combinava, até que esse final de semana estava ouvindo Cinnamon e pronto, achei a música perfeita. Espero que gostem.



Link #1: Lazer Guided Melodies - LGM Mixtape #4


- O não menos excelente Anorak, foi de podcast, o segundo Depois da Janta.


1) Grass Widow - Green Screen (Grass Widow 12″, 2009) [Make a Mess Records]
2) Real Estate - Fake Blues (Fake Blues 7″, 2009) [Woodsist]
3) Kurt Vile - Summer Demons (Fall Demon 7″, 2009) [Skulltones]
4) Yo La Tengo - Here To Fall (Popular Songs, 2009) [Matador]
5) Six Organs of Admittance - The Ballad of Charley Harper (Luminous Night, 2009) [Drag City]
6) The Pastels & Tenniscoats - About You (JAMC cover) (Two Sunsets, 2009) [Domino]
7) Ducktails - Wishes (Landscapes, 2009) [Olde English Spelling Bee]
8 ) A Sunny Day in Glasgow - Ashes grammar/Ashes maths (Ashes grammar, 2009) [Mis Ojos]
9) Young Prisms - Weekends and Treehouses (Young Prisms, 2009) [Mexican Summer]
10) Superchunk - Crossed Wires (Crossed Wires 7″, 2009) [Merge]
11) Blues Control - Good Morning (Local Flavor, 2009) [Siltbreeze]


Link #2: Anorak - Depois da Janta #2


- O simpático The Crystal Lake está com o novo single do Foxes! E a exclamação pertence ao nome da banda mesmo.



O novo single do The Foxes! é apaixonante! Tudo neste trabalho remete à criatividade e a musicalidade deste trio de Brighton. "Who Killed Rob?" é uma canção maravilhosa, com um clipe igualmente genial e hilário. Capa, letras, vocais, melodia, video, tudo neste trabalho está incrível. Ao lado do Afternoon Naps, The Besties, The Pocketbooks, The Smittens, o Foxes! vai calcando seu nome entre os grandes do pop alternativo.

MUST-LISTEN!


Link #3: Foxes! - Who Killed Rob? (2009)


- Já faz tempo, mas o estupendo César Marins andou divagando sobre "Parada Lésbica" no Escolha Estranha.

-Elas fizeram questão de ter uma parada só delas, um dia antes da Parada Gay. Felicidade gay, brilho, glamour e loosho é coisa pra bicha. Mulher que pega mulher tem que ser séria, chata e macho. Just like their fathers.

-No jornal passa a notícia, "Dia Gay no Hopi Hari", ai entram as bichas felizes, pulando, dançando, curtindo, festa dura, coisa louca. Ai entram as lésbicas. Cada pisada, uma estremecida. Fumando. Cara fechada. Boné. Bermuda.

Felicidade passou longe.


Link #4: Deve Ser Triste Ser Lésbica

 

Jul
31

See Ya Later, Innovator


Pode ser instinto defensivo, pode ser marketing pessoal, mas o esforço que o Arctic Monkeys faz no sentido da auto depreciação é notável. Logo na estréia em disco, avisavam no título que não eram nada daquilo que estavam dizendo por aí. O terceiro disco, "Humbug" (Domino, 2009), segue na mesma linha, utilizando essa expressão não muito usual que encontra tradução na ofensiva palavra fraude. Ainda não existe nenhum explicação oficial mas o título pode ter também uma carga ambiciosa, revelando uma banda bastante confiante no seu crescimento. Nesse caso, a intenção seria dar uma resposta irônica aos críticos, um lado Gallagher desconhecido da jovem banda britânica. Tanto a teoria do excesso quanto a da falta de confiança caem durante a audição do novo trabalho. Como sempre, não há nada tão bom ou tão ruim que justifique o exagerado título.

Saltam aos ouvidos de início, a maturidade vocal de Alex Turner e a habilidade de Matt Helders em conduzir as repetitivas estrutras melódicas. My Propeller, começa o álbum elevando a influência do produtor Josh Homme a níveis paródicos. Em seguida, o poderoso single Crying Lightning ainda carrega traços stoners do Queens Of The Stone Age. E isso é quase tudo o que "Humbug" tem a oferecer. Duvida? Ouça a música seguinte: se você teve algum contato com os dos dois discos anteriores dos Monkeys você provavelmente já ouviu Dangerous Animals (a semelhança com Fake Tales Of San Francisco, por exemplo, é gritante). Na continuação, os riffs circulares vão se amontoando sobre as melodias vocais já gastas de Turner e só as mãos rápidas do baterista são capazes de chamar a atenção novamente. Em Dance Little Liar, Helders rouba a cena e não larga os holofotes até Pretty Visitors, brilhando novamente. Apesar do barulho inicial sobre o álbum indicar uma influência maior, reside somente nesse faixa todo o clima Black Sabbath sugerido pelas entrevistas.

Como banda nascida e alimentada pela internet, o Arctic Monkeys aproveita e sofre com a imensa popularidade que a rede lhe proporcionou. No lugar deles, eu somente aproveitaria. Mais do que se preocupar com status, esses jovens músicos deveriam se ocupar ouvindo mais música. Só assim para oxigenar um trabalho precocemente viciado.


Arctic Monkeys - Humbug - 59
Ano: 2009
Origem: Inglaterra
Gênero: Indie-Rock
IN Picks: Crying Lightning, Pretty Visitors, Dance Little Liar
Pra quem gosta de: The Libertines, The Clash, The Cribs






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Jul
30

Heartbeats #1 - Podcast


NÃOFODCAST #1: SHOEGAZE/INDIETRONICA










Acesse a página do Heartbeats no Mevio:
http://indienationbr.mevio.com/

Ou baixe o programa aqui

RADIO DEPT. - DAVID
SCHOOL OF SEVEN BELLS - HALF ASLEEP
THE DEPRECIATION GUILD - DREAM ABOUT ME
MAYER HAWTHORNE - JUST AIN'T GONNA WORK OUT
DO THE ROBOT - PLAY
THE PAINS OF BEING PURE AT HEART - YOUNG ADULT FRICTION
MOSCOW OLYMPICS - SECOND TRACE
GRASS WIDOW - TO WHERE
POMEGRANATES - TESSERACT
FAUNTS - I THINK I'LL START A FIRE
YO LA TENGO - NOTHING TO HIDE
BRAZILIAN GIRLS - GOOD TIME


Ilustração de Ian Dingman

 

Jul
27

Acerta Esse Tom


Viver na sombra de um grande nome parece ser um dos piores pesadelos para um músico. Quase todos que nascem com a pecha de novo-qualquer-coisa passam a carreira tentando se desviar do parentesco forçado. Foi o que aconteceu com o Buffalo Tom, banda que completa 20 anos de existência nesse ano e que surgiu carregando o rótulo de Dinosaur Jr. Junior. Os álbuns mais aclamados desse trio de Boston, "Let Me Come Over" e "Big Red Letter Day" (lançados em 1991 e 1993, respectivamente), abusam de estruturas densas e produção esmeirada, numa tentativa (bem sucedida) de se livrar da alcunha. Dois anos após o lançamento de "BRLD", o rótulo já não incomodava tanto e resultado foi divertido "Sleepy Eyed" (East West, 1995), o álbum mais desencanado na discografia dos americanos.

Houve quem enxergasse um declínio criativo. O olhar crítico é ajudado pela orientação mais direta do que a observada nos pomposos trabalhos anteriores. Mas é nesse álbum onde se encontram os maiores acertos melódicos do Buffalo Tom. O ínicio é devastador, com quatro composições de grande potencial radiofônico. Tangerine, uma paulada, abre os trabalhos com um gancho power-pop certeiro no ouvinte. Mais cândida e igualmente fascinante, Summer chega logo em seguida na tradição do melhor do pop rock nos anos 90. A próxima faixa não deixa o nível baixar mas deixa claro porque a comparação é inevitável: de fato, o Buffalo Tom deve muito a J. Mascis e Kitchen Door é prova irrefutável da influência. Nada que um refrão devastador não apague e a incrível Rules está ali, logo depois, para cumprir o papel.

Outras composições seguem o ritmo do power-pop frenético do início, com destaque para a pegajosa Sundress e Souvenir. Há também baladas mais densas, refazendo o clima dos dois discos anteriores como Sunday Night e Twenty-Points (The Ballad of Sexual Dependency), a segunda não tão divertida quanto o nome sugere. Balanceando seus dois lados, sem grandes preocupações, o Buffalo Tom fez de "Sleepy Eyed" seu disco mais verdadeiro. Se eles são os primogênitos do Dinosaur Jr., porque lutar contra? Não é todo mundo que tem um pai conservadão como esse.

Buffalo Tom - Sleepy Eyed - 80
Ano: 1995
Origem: EUA
Gênero: Indie-Rock/Power-Pop
IN Picks: Rules, Summer, Tangerine
Pra quem gosta de: Bob Mould, Lemonheads, Dinosaur Jr.








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Jul
26

Branco no Preto


Embora mais focado no soul, Mayer Hawthorne pertence ao mesmo universo de pesquisadores apaixonados como Jens Lekman, Dent May ou o coletivo canadense Bicycles. Hawthorne é mais um desses obcecados pela música pop dos anos 60 e 70 e fez de seu disco de estréia, "A Strange Arrangement" (Stones Throw, 2009) um tributo a música que explodia na sua cidade natal, Detroit, durante essas duas décadas.

Hawthorne já cultiva um bom número de seguidores desde que o maravilhoso single Just Ain't Gonna Work Out surgiu num sete polegadas desfilando uma elegância ironicamente incompatível com seu tipo físico. A voz que inicia esse petardo no melhor estilo Bobby Womack era mesmo daquele rapaz bem parecido Tobey Maguire na capa do álbum? Improvável, mas era. Ainda na cola de Womack, o álbum traz mais duas baladas desconcertantes: I Wish It Would Rain e a afrodisíaca Shiny And New.

Em alguns momentos, a pesquisa musical de Hawthorne se assemelha ao trabalho de grandes nomes do hip-hop como D'Angelo e Slum Village. O primeiro single, já citado, e o groove tenso de Make Her Mine são exemplos. Mas o objetivo aqui não é fazer crossover com música moderna: "A Strange Arrangement" soa mesmo como um disco gravado em 1966. Funks nervosos como The Ills e Let Me Know podem facilmente se confundir com as composições do mestre Curtis Mayfield. E como não bastava só evocar, entre 11 composições originais, Mayer Hawthorne encaixou uma versão fiel de um clássico da Motown, Maybe So, Maybe No (gravação original do New Holidays, em 1969). A necessidade de uma cover tão parecida com a original é até discutível, mas a ligação perfeita com as composições próprias torna qualquer discussão inútil. E se todos os elogios ainda não fizeram o leitor devorar esse que é um dos melhores lançamentos de 2009, tente resistir ao som do upbeat de Your Easy Lovin' Ain't Pleasin'... Impossível!

Para evitar a fadiga mental desse aspirante a crítico musical, Mayer Hawthorne deu uma força e usou uma frase definitiva para tentar explicar o seu irresistível "A Strange Arrangement": "It's old soul... but it's new!". Acertou em cheio.



Mayer Hawthorne - A Strange Arrangement - 88
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Neo-Soul/Hip-Hop
IN Picks: Just Ain't Gonna Work Out, Your Easy Lovin' Ain't Pleasin', Shiny And New
Pra quem gosta de: Dent May, Bobby Womack, D'Angelo








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Jul
25

Tédio Ambiente


O amor é cego. Jón Þór Birgisson trabalha há mais de uma década para provar que a música ambiente tem seu propósito comandando uma das bandas mais importantes da música atual, o Sigur Rós. Junto com o namorado Alex Somers, formou o Riceboy Sleeps, responsável pela estonteante parte gráfica do projeto principal. Agora, oficialmente como Jónsi & Alex, os dois jogam fora todos os elementos que levaram o Sigur Rós a subverter o gênero com o tedioso "Riceboy Sleeps" (Parlophone/EMI, 2009), óbvio pano de fundo para noites frias de sexo tântrico desse apaixonado casal islandês.

O único grande momento, Indian Summer, prova que a decisão de reduzir a paleta sonora não deu muito certo: quando o canto baixinho surge como uma onda suave, bate no ouvinte a esperança de que o projeto não sirva somente como trilha sonora de spa. Outro destaque é Boy 1904 e o inusitado sampler da única gravação conhecida de um cantor castrato. Embora seja um composição de pretensões épicas, nada impressiona mais do que a imagem do sofrimento desse rapaz (leia mais sobre o assunto na Wikipedia). É importante ressaltar que "Riceboy Sleeps" é também um livro. Sem nenhuma palavra. A intenção é que, junto ao apelo visual de 52 páginas de arte gráfica apurada, a experiência individual forme um conceito único para cada audição. E assim, baseando-se mais na experiência do ouvinte do que nos seus próprios méritos, infelizmente, o álbum não consegue provocar nenhum outro momento de emoção genuína.

Após um pouco mais de uma hora de muito tédio, se confirmam as suspeitas iniciais: "Riceboy Sleeps" é arte visual e a música funciona somente como acessório. E se o livro não tem uma letra sequer, nada mais apropriado do que a companhia de uma música ambiente fria e amorfa.

Jónsi & Alex - Riceboy Sleeps - 47
Ano: 2009
Origem: Islândia
Gênero: Ambient/Drone/Post-Rock
IN Picks: Indian Summer, Atlas Sound, Daníell in The Sea
Pra quem gosta de: Amiina, Brian Eno, Helios








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Notícias

2009-07-14 10:34

O humor tira as calças

Brüno O humor tira as calças 10.07.2009 - Joana Amaral Cardoso   Hoje é preciso escândalo para chamar a atenção. Sacha Baron Cohen consegue-o com "Brüno", filme sobre o jornalista de moda, austríaco, homossexual. Mostra tudo. E deixa o espectador nu. Que limites, hoje, para o humor?...
2009-07-14 10:34

A comédia serve-se fria com os STAN

Festival de Almada A comédia serve-se fria com os STAN 08.07.2009 - Kathleen Gomes   "of/niet" é uma raridade porque não é todos os dias que vemos os quatro actores fundadores dos STAN juntos e em palco. Dado o estado do mundo, estávamos a precisar de uma comédia, dizem. Sábado e...
2009-07-14 10:33

Manoel de Oliveira estreia filme inédito no Curtas em Vila do Conde

"Romance de Vila do Conde", filmado em 1965, só foi terminado em 2008 Nelson Garrido Manoel de Oliveira estreia filme inédito no Curtas em Vila do Conde 10.07.2009 - Lusa   "Romance de Vila do Conde", filmado em 1965, só foi terminado em 2008 Manoel de Oliveira estreia amanhã, no 17º...
2009-07-14 10:29

Brandford Marsalis continua a tentar ser uma pessoa melhor

Concerto Brandford Marsalis continua a tentar ser uma pessoa melhor 10.07.2009 - Cristina Fernandes   O pai dizia-lhe que a música é aquilo que se faz. Ou seja, é como ser uma pessoa melhor: é muito difícil mas continuamos a tentar até ao fim. Ele é um incansável explorador. Um dos...
2009-07-14 10:29

Não podemos adiar o coração

Muda Que Muda Não podemos adiar o coração 10.07.2009 - João Bonifácio   "Muda Que Muda" é o segundo disco de João Coração em seis meses. Vê-o transformado em Gainsbourg de Sesimbra, aristocrata arruinado dançando um último bolero. É um disco de Verão, mas cheio de angústia, como o...
2009-07-14 10:29

E se Jimi Hendrix tivesse sido assassinado?

Rock Roadie E se Jimi Hendrix tivesse sido assassinado? 10.07.2009 - Mário Lopes   No livro de memórias "Rock Roadie", James "Tappy" Wright, antigo "road manager" de Hendrix, diz que Jimi foi assassinado Michael Jackson morreu há duas semanas e já há quem garanta que o Rei da Pop...
2009-07-14 10:28

João Nicolau venceu o prémio de melhor curta portuguesa em Vila do Conde

Palmarés João Nicolau venceu o prémio de melhor curta portuguesa em Vila do Conde 12.07.2009   E filme franco-húngaro recebe o Grande Prémio desta 17ª edição. A melhor curta-metragem portuguesa da 17.ª edição do Festival Curtas Vila do Conde foi "Canção de Amor e Saúde", de João...
2009-07-14 10:27

Vikram Seth: mais um bom partido

Edição Vikram Seth: mais um bom partido 10.07.2009   Está a escrever uma sequela para o seu romance mais celebrado, o monumental "Um Bom Partido" O indiano Vikram Seth está a escrever uma sequela para o seu romance mais celebrado, o monumental "Um Bom Partido", que em Portugal foi...
2009-06-30 09:39

U2 estreiam palco giratório em Barcelona

Concerto U2 estreiam palco giratório em Barcelona 29.06.2009 - Vítor Belanciano   Começa hoje, em Barcelona, a digressão mundial do grupo mais conhecido do rock. Os irlandeses vão estrear uma nova estrutura giratória como palco. Segundo eles é revolucionária. Sempre que o grupo...
2009-06-30 09:39

Woody Allen volta a Nova Iorque (e aos seus judeus-tipo) com a ajuda de Larry David

O protagonista de “Whatever Works”, novo fi lme de Allen, parece ser uma síntese do realizador e David: um cínico, um céptico, um auto-alienado Whatever Works Woody Allen volta a Nova Iorque (e aos seus judeus-tipo) com a ajuda de Larry David 26.06.2009   "Whatever Works" é a...
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Notícias

2009-07-14 10:29

Brandford Marsalis continua a tentar ser uma pessoa melhor

Concerto

Brandford Marsalis continua a tentar ser uma pessoa melhor

10.07.2009 - Cristina Fernandes
diminuiraumentar

 

O pai dizia-lhe que a música é aquilo que se faz. Ou seja, é como ser uma pessoa melhor: é muito difícil mas continuamos a tentar até ao fim. Ele é um incansável explorador. Um dos nomes ilustres do jazz, tem dificuldade em resistir a outros apelos. Tanto podemos encontrá-lo num álbum de Sting como a tocar Debussy e Stravinsky com uma orquestra sinfónica. Nos dias 16 e 17 o saxofonista apresenta o programa "Marsalis Brasilianos" com a Orquestra Metropolitana de Lisboa

Brandford Marsalis nunca se contentou com um caminho musical único. O seu lema é manter "os ouvidos alerta" e uma disponibilidade permanente para explorar novos estilos. Membro de uma ilustre família de músicos de jazz (é filho do pianista Ellis Marsalis e irmão do trompetista Wynton Marsalis), este saxofonista americano de espírito inquieto cresceu numa casa fervilhante de sons, ao mesmo tempo que absorvia as várias tradições musicais que se cruzavam nas ruas de Nova Orleães. Tocou com os Art Blakey's Jazz Messengers e no quinteto do seu irmão Wynton antes de fundar o seu quarteto (cuja última gravação, "Metamorphosen", foi objecto de recensão no último Ípsilon) mas sempre fez incursões noutros domínios. Colaborou com Sting em álbums como "Dream of the Blue Turtles" ou "The Soul Cages" e nos anos 90 criou o projecto Buckshot LeFonque, que combinava influências do jazz, Rhythm and Blues, hip-hop e pop rock. Com o início do novo milénio resolveu centrar-se também no repertório clássico, actuando como solista com várias orquestras americanas e europeias e gravando obras de Debussy, Stravinsky, Milhaud, Copland ou Vaughan Williams. Recentemente realizou uma importante digressão nos EUA com a Philarmonia Brasileira e o projecto "Marsalis Brasilianos", que será agora retomado em Portugal com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção de Cesário Costa. Nos dias 16 e 17, respectivamente no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e no Teatro de Portimão, Marsalis toca obras de Villa-Lobos (Fantasia para Saxofone e Bachianas Brasileiras nºs 5 e 9) e Darius Milhaud ("La Creation du Monde" e "Scaramouche") no âmbito de um programa de forte influência brasileira.

A sua experiência no campo do jazz influencia a foma como interpreta o repertório clássico?

Experiências musicais diferentes implicam abordagens diferentes na interpretação. No repertório clássico não faz sentido tocar como um instrumentista de jazz. A música tem mesmo de soar clássica e esse tem sido para mim um dos grandes desafios.

Neste caso são também compositores especiais, já que foram influenciados pela música de tradição popular...

Como o Brasil fica no Novo Mundo não há tanto o estigma de ter de apresentar algo que seja puramente europeu. Villa-Lobos conheceu a música de Milhaud, Ravel e Debussy em Paris mas depois de regressar ao Brasil continuou a conviver com os músicos do samba, do tango, com a música popular brasileira. Foi a familiaridade com diversos estilos e uma compreensão profunda das suas linguagens - ele tanto dominava o choro como a harmonia clássica - que tornou a sua obra tão rica. Na Europa, muitos compositores dedicavam-se também a estudar outras músicas, o que se reflecte nas suas obras, mas essa atitude era menos comum entre os intérpretes da tradição clássica.

Tem trabalhado com músicos de jazz, da clássica, do pop rock, da world music... É difícil interagir com pessoas com experiências tão distintas?

Os músicos podem ser muito diferentes mas o objectivo é sempre o mesmo: tocar as pessoas emocionalmente através do som. É mais fácil na pop porque há uma componente visual muito forte: a dança, as luzes, muitas coisas que impressionam visualmente. Em muitas sociedades, como é o caso da norte-americana, as pessoas ainda vão aos concertos para ver e não não tanto para ouvir. É por isso que quando se fala do Michael Jackson os temas são as luvas, as jaquetas, o seu comportamento ou as coisas estranhas da vida dele, mas há muito pouca discussão sobre a voz. E ele tinha uma voz fantástica, sobretudo quando era mais novo, só que ninguém conversa sobre isso. Quanto se toca um estilo de música em que estamos sentados numa cadeira, como acontece na clássica, dependemos apenas do som para envolver a audiência.

Na música clássica o som ainda prevalece sobre a imagem...

Há pessoas que dizem que gostam de música, mas não é realmente da música que gostam mas sim do espectáculo. Há cantores que cantam muito mal e o público nem dá por isso. Mas num concerto clássico se alguém canta mal toda a gente nota. E também é mais fácil tocar música pop. Quando tinha 12 anos tocava quase todas canções do Elton John no piano e fazia-o bastante bem, mas não conseguiria tocar um concerto de Rachmaninov. Continuo a gostar de Elton John - a sua música faz-me sentir bem, gosto da sonoridade, da linha vocal, da parte do piano - mas ao mesmo tempo também acho espantoso um concerto clássico de grande virtuosismo, sendo que nesse caso tenho a consciência de que o instrumentista precisou de estudar muitas horas por dia.

Mas o jazz pode ser também muito exigente tecnicamente...

O repertório clássico é o mais exigente tecnicamente. No jazz os músicos podem tocar muitas notas (na minha opinião tocam demasiadas!), mas podem escolher quais as notas que querem tocar. Na clássica o compositor escreve e temos de ser fiéis à partitura. Não podemos dizer: vou mudar estas notas ou estes acordes para adaptar melhor a peça ao meu estilo. Quando comecei a abordar o repertório clássico mais a sério, há sete ou oito anos, precisei de ter aulas de saxofone. A minha técnica funcionava para o jazz e para a pop mas não servia para a música clássica.

Não tinha tido antes uma preparação musical formal nessa área?

Não tive uma formação clássica tradicional, mas o meu irmão Wynton teve. Eu simplesmente ouvia os discos que ele trazia para casa. O Wynton estudava o tempo todo, mas eu não praticava nada! Aos 15 anos dedicava-me a tocar numa banda de "covers". Nessa altura ainda não se usavam DJs, contratavam bandas que tocavam as canções da moda. Aprendi por intuição e por imitação, sempre coloquei os meus ouvidos alerta. Fico espantado com o grande número de músicos que não conseguem ouvir verdadeiramente a música que tocam. Este é um problema que se verifica na música sinfónica mas também no jazz. Acontece porque hoje os jovens começam logo a ler música e não têm a experiência de tocar de ouvido. Antes as pessoas não iam para a escola aos quatro ou cinco anos, aprendiam a tocar com o que ouviam nas ruas, decoravam canções infantis. Obrigo sempre os meus alunos a trabalhar uma série de canções de ouvido, que não estejam nos livros.

É pouco comum um músico percorrer tantos universos, geralmente tende-se para a especialização...

É uma escolha pessoal. Um dia alguém perguntou a Sibelius: "quando está com os seus colegas sobre o que é que falam?" E ele respondeu: "não falo com músicos, falo com banqueiros. Os banqueiros gostam de falar sobre música, os músicos só falam sobre dinheiro". Há pessoas que só são boas numa coisa, mas outras pensam: em que área é que posso fazer mais dinheiro? O meu pai sempre nos disse: "vocês são espertos, se querem ganhar dinheiro não toquem música". Por isso num Verão trabalhei numa quinta e no Verão seguinte num hospital, mas no final decidi que o que queria mesmo era ser um bom instrumentista. Nunca me preocupei em saber quanto dinheiro isso podia render. Temos tendência para a catalogação: sou um músico clássico, sou um músico de jazz, etc... Não concordo. Sei que nunca tocarei saxofone clássico tão bem como os fazem profissão da música clássica mas faço o melhor que posso e sei. O importante é que as coisas que fiz nesse campo me tornaram melhor como músico.

Ficar apenas vinculado a um género seria limitativo?

Sempre estive aberto a experimentar novos estilos e a ouvir muito. E nunca tive receio de ter lições nem de progredir. Digo sempre aos meus alunos que somos eternos estudantes. Noutras profissões recebemos um diploma e podemos dizer: sou médico, sou advogado, sou contabilista, etc. A música é diferente. O meu pai costumava dizer: a música não é aquilo que tu és, mas aquilo que fazes. E se é aquilo que fazes, então nunca serás tão bom como poderias ser. Ou seja, é como ser uma pessoa melhor. É muito difícil mas continuamos a tentar até ao fim da vida.

Também é compositor. Como encara essa vertente da sua actividade?

Não acredito na obsessão pela inovação. Quando ouvimos muita música clássica (Mozart, Beethoven, Mahler...), por um lado todos os compositores soam de maneira semelhante, mas por outro todos são muito diferentes. Mas o mais incrível é que todos estes mundos sonoros foram construídos com as mesmas 12 notas. A mesmas 12 notas que Michael Jackson ou Prince também usaram! A ideia de que temos sempre de inventar algo é absurda. Não se é original apenas porque se quer. O que temos a fazer é aprender o máximo possível, dedicarmo-nos a ser os melhores músicos possíveis. O resto é uma consequência.

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