Agenda: Publique os seus eventos...

Data: 2009-05-16

De: residência artística REN:

Assunto: o bando no Teatro da Cerca de São Bernardo




Numa parceria com a REN - Redes Energéticas Nacionais, A Escola da Noite acolhe na próxima semana a primeira residência artística no Teatro da Cerca de São Bernardo.

O grupo convidado é o Teatro o bando, companhia com 35 anos de actividade e que desde há muito se afirmou como uma das mais importantes no panorama teatral português, graças a um percurso artístico singular, também marcado por uma íntima relação com as comunidades junto das quais trabalha.

Ao longo dos oito dias da residência (entre 17 e 24 de Maio), o bando partilhará com o público de Coimbra uma verdadeira mostra do seu trabalho mais recente: apresenta dois espectáculos - “Jerusalém” e “A Noite” -, disponibiliza-se para conversas com os espectadores, dinamiza duas conferências, dirige um workshop para actores e exibe dois documentários sobre a sua actividade.

Os bilhetes para os espectáculos podem ser reservados desde já e custam entre 6 e 10 Euros (ou entre 10 e 15 Euros, no caso de bilhete geral para os dois espectáculos). As candidaturas para o workshop estão abertas desde o passado sábado e serão aceites até às 19h00 do dia 15 de Maio (a inscrição custa 40 Euros). Todas as restantes actividades decorrem no bar do Teatro e têm entrada livre.



Residência artística REN: Teatro o bando em Coimbra

PROGRAMA



TERÇA-FEIRA, 19 de Maio

21h30 - espectáculo | JERUSALÉM

23h30 - conversa | com equipa artística de JERUSALÉM



QUARTA-FEIRA, 20 de Maio

21h30 - espectáculo | JERUSALÉM

23h30 - conversa | com equipa artística de JERUSALÉM



QUINTA-FEIRA, 21 de Maio

10h00-18h00 - workshop | ”DILATAÇÃO DO TEMPO PRESENÇA: OFICINA SOBRE A CONSCIÊNCIA DO ACTOR EM CENA”

19h00 - conferência | ”O actor no Teatro o bando”, por João Brites

22h00 - documentário | “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”



SEXTA-FEIRA, 22 de Maio

10h00-18h00 - workshop | ”DILATAÇÃO DO TEMPO PRESENÇA: OFICINA SOBRE A CONSCIÊNCIA DO ACTOR EM CENA”

19h00 - conferência | ”O método do Experimental Stage of Baltic House”, por Anatoly Praudin

22h00 - documentário | “Ensaio sobre o teatro”



SÁBADO, 23 de Maio

21h30 - espectáculo | A NOITE

23h30 - conversa | com equipa artística de A NOITE



DOMINGO, 24 de Maio

21h30 - espectáculo | A NOITE

23h30 - conversa | com equipa artística de A NOITE

Blog

2009-08-13 09:35

Vários at indienation.blogspot.com/

Pegando Uma Cor

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Vida de queridinhos da crítica não é assim tão fácil. O HEALTH, que lançou seu álbum auto-intitulado há dois anos com uma cota farta de elogios, tem agora uma matilha de lobos à espera de um tropeço. Confiando no seu taco, o quarteto californiano chega ao segundo semestre de 2009 com uma versão mais encorpada do seu fragmentismo pós-Boredoms em "Get Color" (Lovepump United, 2009).

No conta final, o novo trabalho tem quatro minutos a mais e duas faixas a menos que o anterior. Com excessão da fantástica Perfect Skin, nenhuma faixa de "HEALTH" chegava muito além dos três minutos e meio. "Get Color", por sua vez, traz composições mais longas, sinal de que houve empenho na intenção de torná-las mais harmoniosas. Mesmo que a ruidosa In Heat teime em dizer o contrário, o já bem sucedido single Die Slow confirma a suposição. A primeira faixa mantém os ataques percussivos e a distorção descontrolada que deram as cartas no primeiro álbum. A segunda, mais descontraída (nos termos do HEALTH), surfa na onda da boa recepção de "HEALTH//DISCO", coleção de remixes lançada no ano passado, abusando de sintetizadores. Dá pra continuar no jogo da bipolaridade usando como exemplo as duas faixas seguintes: Nice Girls é comandada pela faceta mais violenta do HEALTH. Já a impressionante Death +, mesmo longe da normalidade, recorre ao lado mais dançante do math-rock lembrando vagamente Atlas, do Battles.

Mostrando disposição incomum, o álbum continua enfileirando momentos de pura catarse, com destaque para as duas últimas faixas. Primeiro, a monumental We Are Water coloca o ouvinte na pista de dança do Belzebu, quando sua cadência rítmica frenética chega a níveis insanos. Após o apocalipse, a climática In Violent surpreende outra vez dando-se ao luxo de deixar de lado a poderosa máquina percussiva que tem a disposição. As nove audaciosas composições de "Get Color" mostram que Duzsik, BJ Miller, John Famiglietti e Jupiter Keyes não só saíram ilesos da cilada em que se meteram com sua corajosa estréia. Eles pavimentaram um caminho para ir além, o caminho de uma banda sem limites. E é exatamente disso que a música está precisando agora.

HEALTH - Get Colors - 89
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Experimental/Noise
IN Picks: We Are Water, Death+, Die Slow
Pra quem gosta de: No Age, Battles, Liars







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Ago
07

É reconfortante e assustador...

... quando você percebe o quanto você é pequeno. Eu sei, é importante se valorizar. Sei também nosso próprio instinto de sobrevivência alimenta nossa falsa impressão de que nós somos muito grandes. Mas não somos. Cada um de nós é somente mais um. E por perceber isso, agora eu me sinto completamente superior a todos vocês, seus losers sem cultura!

 

Ago
06

Baixando o Pinto


Com muito carinho, gostaria de introduzi-los (1) ao Pinto, banda de um homem só comandada pelo sueco Andreas (siga a lógica: banda de homem só, homem de um nome só). O nome pode parecer atrevido para nós, que falamos português. Porém, o nome inusitado faz todo o sentido, afinal na Suécia tudo é a maior Suécia (2). No seu site oficial, Andreas diz que "o Pinto cresceu (3) a partir de sementes de frustração e se transformou numa delicada flor de radiante música pop". Não se sabe muito sobre as durezas (4) enfrentadas pelo compositor, mas a frase deve ter um fundo de verdade, pelo menos na segunda parte: "Hook Me Up" (Krusty Still, 2007) segue mesmo a tradição da forte cena indie pop local.

De cara, o Pinto põe pra fora (5) suas influências. Usando as palavras do próprio novamente, o Pinto soa como "um cruzamento entre ABBA e Nick Drake". O ABBA é a instituição máxima da música na Suécia, assim como o Roberto Carlos, no Brasil. Sendo assim, qualquer sueco usa o exemplo para explicar que faz música pop. Então junte música pop, simplesmente, com Nick Drake (algo da sua voz característica, violão no centro...) para ver que o tal cruzamento pode ocorrer fora da cabeça de um cara meio gozadinho (6). Curiosamente, quando deixa a paixão pelo trovador inglês à mostra é o que o Pinto se torna mais imponente (7): What Is A Liar é tão bonita que chega a machucar por dentro (8).

Suecos, todos sabem, são ensinados a escrever melodias já na creche e com Andreas não poderia ser diferente: Iron & Rust, dueto com a cantora folk Anna Järvinen, mostra que o Pinto está afiado (9) no assunto. Em outros destaques como We Breathe Too Much e This Picture Needs A Fame, Andreas lembra o projeto paralelo de Mac McCaughan, o Portastatic. Há também uma inevitável comparação com Robert Pollard, não só pela curta duração das canções: na melosa (10) I Belong To You é possível ver o velho professor no microfone. O problema do Pinto é que às vezes ele é muito cabeçudo (11): as idéias repetidas fazem algumas canções da parte final perderem seu efeito, como a tola Hard Inside The Heart.

Se você parar para contar, verá que foram citados cinco destaques positivos e apenas um negativo. O saldo é de 5 contra 1 (12)! Então libere-se de conceitos medievais e caia de boca (13) nesse belo exemplar do indie-pop sueco. Será um entra e sai frenético (14) no seu player. OK, OK, chega...


Pinto - Hook Me Up - 69
Ano: 2007
Origem: Suécia
Gênero: Indie Pop
IN Picks: Iron & Rusty, This Pictures Needs A Frame, What Is A Liar
Pra quem gosta de: Portastatic, Pelle Carlberg, Club 8






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Ago
05

IndieNation Repórter





Boa Noite.
Hoje, o IndieNation Repórter investiga a dura vida de um blogueiro nas grandes cidades. Como conviver com os perigos em cada esquina? Como lidar com as ameaças das grandes organizações? Quem sofre mais, o homem ou a mulher? É o que você vai ver, a partir de agora, no IndieNation Repórter.








Nossa reportagem começa com uma denúncia sobre perseguição, ganância e preconceito. Tudo começou numa inocente pergunta, feita por um leitor não muito comum de codinome Piano Black. O rapaz gostaria de saber de que site a imagem que ilustrava o post teria sido retirada. O print do comentário, você confere abaixo:

Não, essa imagem não. Essa aqui:

O blogueiro, que prefere manter sua identidade preservada, respondeu cordialmente mas sem dar maiores detalhes. Foi o suficiente para que algumas horas depois as ameaças se tornarem cada vez mais fortes.

Num depoimento exlcusivo, o blogueiro conta como tudo aconteceu (como nós não possuímos aquele aparelho disfarçador de vozes, leia com voz de pato para tornar a experiência mais real):

"Primeiro eles mandaram eu mudar o nome da minha seção de fotos engraçadas (faz sinal de aspas), que faz referência a uma seção do sítio principal dessa organização. Logo depois, disseram que eu sofreria duras consequências. Como eu estou numa atividade praticamente ilegal, resolvi mudar o nome da seção para "se/folder", o que mantém a característica fonética original e ainda manda uma resposta a esses terríveis ameaçadores. É um nome irônico, igual o nome daquela banda inglesa, o Cansei de Ser Sexy"

Não registramos o sinal de aspas quando o blogueiro pronunciou inglesa. Nem quando pronunciou banda. Registramos sim, o medo e pânico do homem de bem diante da falência do poder público na internet. No próximo IndieNation Repórter, nós vamos investigar a vida sexual dos blogueiros. Ela realmente existe ou é um mito? E quem faz mais posts pagos, o homem ou a mulher?

Boa Noite.

 

Clipping #03






- A apresentação carioca do Beirut será mesmo no Teatro Oi Casa Grande, como confirmado pelo site da casa. Houve divulgação afirmando que o ínicio das vendas seria no dia 03 (anteontem), mas ainda não há venda virtual, nem na bilheteria. Aguarde maiores informações. Para o show em Salvador, as vendas já começaram. Em São Paulo, ainda não há nem mesmo a confirmação oficial de que haverá uma apresentação. Enquanto isso, uma nova composição de Zach Condon dá o ar da graça: é a instrumental The 11th Arrondissement, décima primeira faixa da trilha sonora de Paper Heart. Ouça:





- A Rádio Pública Americana colocou "My Old Familiar Friend", novo trabalho de Brendan Benson, para streaming no seu site. Para ouvir, clique aqui.



- Relaxe e libere seus pensamentos. Agora imagine uma composição inspirada na invasão de Cuba em 1961. Gênero? "Ambient Disco". Duração? 14 minutos. Esqueci de dizer que o compositor é Daniel Bejar, também conhecido como Destroyer. Parece bizarro demais para ser verdade, mas é. Bay Of Pigs é o lado A do EP de mesmo nome que o canadense lança no próximo dia 18. Ouça com responsabilidade:





- A dupla King Of Convenience lança disco numa data qualquer desse segundo semestre. Enquanto "Declaration Of Dependence" não vem, duas faixas já circulam pela rede, seguindo o mesma linha de "Riot On Empty Street". Baixando esse arquivo compactado, você poderá ouvir as agradáveis Boat Behind e Mrs. Cold.




- VIDEOS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO


YO LA TENGO - PERIODICALLY DOUBLE OR TRIPLE



ANDREW BIRD - ANONANIMAL (Série Cemetary Gates - Pitchfork TV)

 

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Ago
04

Não Bastaram Os Ouvidos...


"A banda mais barulhenta de Nova Iorque" está de volta. Em 2007, centenas de resenhas usaram a expressão "a banda mais barulhenta de Nova Iorque" para descrever o trio insano formado por Oliver Arckermann, Jono MOFO e Jay Space. Dois anos depois, "a banda mais barulhenta de Nova Iorque" entitula seu novo trabalho sugestivamente, implorando para que todos blogs, sites e revistas repitam que A Place To Bury Strangers é "a banda mais barulhenta de Nova Iorque". Já está com dor de cabeça de tanto ler "a banda mais barulhenta de Nova Iorque"? O IndieNation só está te preparando para o que virá...

"Exploding Head" (Mute, 2009) é o título do novo álbum da band... do power trio shoegazer. De cara, o ouvinte fica tentado a enxergar mudanças no norte musical, já que a dupla It Is Nothing e In Your Heart (apesar de nascerem tão barulhentas quanto as irmãs) guarda alguma semelhança com bandas mais maleáveis (Ride e Joy Division, respectivamente). Lost Feeling, no entanto, não nega a vocação com seus 5 minutos de barulho ensurdecedor, não recomendáveis para quem usa fones de ouvido. Mas o aperfeiçoamento do ambiente quase intransponível criado para o primeiro disco é perceptível: despida da distorção brutal, Deadbeat poderia tranquilamente frequentar pistas de dança. Keep Slipping Away é ainda mais direta, com melodia oitentista inspirada em Depeche Mode.

Só não tente ir aumentando o volume. A chance de ruídos eternos no seu ouvido são enormes se a absurda Everything Always Go Wrong rodar próxima do volume máximo. Ao contrário da faixa-título, que assusta no nome, mas pode ser encaixada na mesma categoria de Keep Slipping Away: melodia comparável a qualquer grande nome do synth-pop mas instrumental duro, inspirado no irmão mais sujo do gênero, o post-punk. Enquanto a brutalidade chega a níveis descontrolados em I Lived My Life To Stand In The Shadow Of Your Heart, dá pra pensar naqueles discos que a gente recomenda que sejam apreciados com fones de ouvidos. Porque a recomendação aqui é exatamente oposta: para o bem da sua saúde mental, não ouça "Exploding Head" com fones de ouvido. Jamais.


A Place To Bury Strangers - Exploding Head - 81
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Shoegaze/Industrial/Noise
IN Picks: Keep Slipping Away, Deadbeat, I Lived My Life To Stand In The Shadow Of Your Heart
Pra quem gosta de: Suicide, Serena-Maneesh e The Jesus And Mary Chain







A PLACE TO BURY STRANGERS - KEEP SLIPPING AWAY


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Ago
03

Barbas Lo-Fi


Os cabelos e a barba do vocalista Jesus Cris... quer dizer, Ryan Grubbs, denunciam que o Ganglians gosta das coisas ao natural. E a banda da Califónia faz mesmo parte dessa nova leva de psicodelismo folk lo-fi que engloba bons nomes como Kurt Vile e Ducktails. "É música para "acid-takers" (a tradução soaria estúpida)... mas sem todas as óbvias armadilhas do psych drone (outra tradução desnecessária)" disse Grubbs, ao tentar descrever seu próprio trabalho e, sem querer, explicando o motivo do sucesso de "Monster Head Room" (Woodsist, 2009).

Os menos de trinta segundos em que Something Should Be Said se esconde são suficientes para revelar a verdadeira intenção do Ganglians: soar como Beach Boys, não importando o recipiente musical. É o que Voodoo, logo em seguida, prova com mais eloquência, misturando os coros característicos dos clássicos de Brian Wilson a uma melodia dançante cravada por um baixo inspiradíssimo em Talking Heads. Surge então a quase insossa Lost Words, lembrando o completamente insosso Fleet Foxes e deixando no ar uma certa desconfiança, exterminada no ritual barulhento que marca a insana Valient Brave, melhor faixa do álbum. A segunda parte de "Monster Head Room" é iniciada com dois momentos de destaque no EP auto-intitulado, lançado um pouco antes do disco cheio. The Void e a explosiva 100 Years formariam juntas um buraco negro musical, num momento de total escape da realidade. Mas no meio delas, a calmaria do campo em To June não deixa o ouvinte ser carregado para o espaço.

Duas canções pastorais (Cryin' Smoke e Modern African Queen) precendendo mais um surto Beach Boys em Try To Understand, finalizam o álbum reafirmando a capacidade do grupo para moldar diferentes formas de expor suas influências. Poderia ser só mais um lançamento lo-fi da fábrica Woodsist, mas a habilidade em aparar arestas comuns do gênero faz desse um dos trabalhos mais interessantes de 2009.


Ganglians - Monster Head Room - 80
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Fuzz Folk/Lo-Fi/Psychedelic
IN Picks: Valient Brave, 100 Years, Try To Understand
Pra quem gosta de: Neil Young, Ducktails, Beach Boys








GANGLIANS - VALIENT BRAVE

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Os Outros #1

- O ótimo Lazer Guided Melodies colocou uma bela mixtape no ar, no último dia 28.


1. Cessna, "Go Easy Gavin"
2. Evie Sands, "Crazy Annie"
3. Gloria Scott, "(A Case Of) Too Much Lovemakin'"
4. The Colourfield, "Thinking of You"
5. Aberdeen, "Sink or Float"
6. Saint Etienne, "Sylvie"
7. Cinnamon, "Maybe In The Next Life"
8. Pelvs, "Even If The Sun Goes Down (I'll Surf)
9. Makin' Time, "The Girl That Touched My Soul"
10. The Wild Swans, "Northern England"
11. Ride, "From Time to Time"

Mais uma compilação que fiz e essa foi bastante trabalhosa. Achar algo que seja do nível de "Sylvie" do Saint Etienne foi realmente difícil, demorei uns dois meses, sem brincadeira. Nada combinava, até que esse final de semana estava ouvindo Cinnamon e pronto, achei a música perfeita. Espero que gostem.



Link #1: Lazer Guided Melodies - LGM Mixtape #4


- O não menos excelente Anorak, foi de podcast, o segundo Depois da Janta.


1) Grass Widow - Green Screen (Grass Widow 12″, 2009) [Make a Mess Records]
2) Real Estate - Fake Blues (Fake Blues 7″, 2009) [Woodsist]
3) Kurt Vile - Summer Demons (Fall Demon 7″, 2009) [Skulltones]
4) Yo La Tengo - Here To Fall (Popular Songs, 2009) [Matador]
5) Six Organs of Admittance - The Ballad of Charley Harper (Luminous Night, 2009) [Drag City]
6) The Pastels & Tenniscoats - About You (JAMC cover) (Two Sunsets, 2009) [Domino]
7) Ducktails - Wishes (Landscapes, 2009) [Olde English Spelling Bee]
8 ) A Sunny Day in Glasgow - Ashes grammar/Ashes maths (Ashes grammar, 2009) [Mis Ojos]
9) Young Prisms - Weekends and Treehouses (Young Prisms, 2009) [Mexican Summer]
10) Superchunk - Crossed Wires (Crossed Wires 7″, 2009) [Merge]
11) Blues Control - Good Morning (Local Flavor, 2009) [Siltbreeze]


Link #2: Anorak - Depois da Janta #2


- O simpático The Crystal Lake está com o novo single do Foxes! E a exclamação pertence ao nome da banda mesmo.



O novo single do The Foxes! é apaixonante! Tudo neste trabalho remete à criatividade e a musicalidade deste trio de Brighton. "Who Killed Rob?" é uma canção maravilhosa, com um clipe igualmente genial e hilário. Capa, letras, vocais, melodia, video, tudo neste trabalho está incrível. Ao lado do Afternoon Naps, The Besties, The Pocketbooks, The Smittens, o Foxes! vai calcando seu nome entre os grandes do pop alternativo.

MUST-LISTEN!


Link #3: Foxes! - Who Killed Rob? (2009)


- Já faz tempo, mas o estupendo César Marins andou divagando sobre "Parada Lésbica" no Escolha Estranha.

-Elas fizeram questão de ter uma parada só delas, um dia antes da Parada Gay. Felicidade gay, brilho, glamour e loosho é coisa pra bicha. Mulher que pega mulher tem que ser séria, chata e macho. Just like their fathers.

-No jornal passa a notícia, "Dia Gay no Hopi Hari", ai entram as bichas felizes, pulando, dançando, curtindo, festa dura, coisa louca. Ai entram as lésbicas. Cada pisada, uma estremecida. Fumando. Cara fechada. Boné. Bermuda.

Felicidade passou longe.


Link #4: Deve Ser Triste Ser Lésbica

 

Jul
31

See Ya Later, Innovator


Pode ser instinto defensivo, pode ser marketing pessoal, mas o esforço que o Arctic Monkeys faz no sentido da auto depreciação é notável. Logo na estréia em disco, avisavam no título que não eram nada daquilo que estavam dizendo por aí. O terceiro disco, "Humbug" (Domino, 2009), segue na mesma linha, utilizando essa expressão não muito usual que encontra tradução na ofensiva palavra fraude. Ainda não existe nenhum explicação oficial mas o título pode ter também uma carga ambiciosa, revelando uma banda bastante confiante no seu crescimento. Nesse caso, a intenção seria dar uma resposta irônica aos críticos, um lado Gallagher desconhecido da jovem banda britânica. Tanto a teoria do excesso quanto a da falta de confiança caem durante a audição do novo trabalho. Como sempre, não há nada tão bom ou tão ruim que justifique o exagerado título.

Saltam aos ouvidos de início, a maturidade vocal de Alex Turner e a habilidade de Matt Helders em conduzir as repetitivas estrutras melódicas. My Propeller, começa o álbum elevando a influência do produtor Josh Homme a níveis paródicos. Em seguida, o poderoso single Crying Lightning ainda carrega traços stoners do Queens Of The Stone Age. E isso é quase tudo o que "Humbug" tem a oferecer. Duvida? Ouça a música seguinte: se você teve algum contato com os dos dois discos anteriores dos Monkeys você provavelmente já ouviu Dangerous Animals (a semelhança com Fake Tales Of San Francisco, por exemplo, é gritante). Na continuação, os riffs circulares vão se amontoando sobre as melodias vocais já gastas de Turner e só as mãos rápidas do baterista são capazes de chamar a atenção novamente. Em Dance Little Liar, Helders rouba a cena e não larga os holofotes até Pretty Visitors, brilhando novamente. Apesar do barulho inicial sobre o álbum indicar uma influência maior, reside somente nesse faixa todo o clima Black Sabbath sugerido pelas entrevistas.

Como banda nascida e alimentada pela internet, o Arctic Monkeys aproveita e sofre com a imensa popularidade que a rede lhe proporcionou. No lugar deles, eu somente aproveitaria. Mais do que se preocupar com status, esses jovens músicos deveriam se ocupar ouvindo mais música. Só assim para oxigenar um trabalho precocemente viciado.


Arctic Monkeys - Humbug - 59
Ano: 2009
Origem: Inglaterra
Gênero: Indie-Rock
IN Picks: Crying Lightning, Pretty Visitors, Dance Little Liar
Pra quem gosta de: The Libertines, The Clash, The Cribs






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Jul
30

Heartbeats #1 - Podcast


NÃOFODCAST #1: SHOEGAZE/INDIETRONICA










Acesse a página do Heartbeats no Mevio:
http://indienationbr.mevio.com/

Ou baixe o programa aqui

RADIO DEPT. - DAVID
SCHOOL OF SEVEN BELLS - HALF ASLEEP
THE DEPRECIATION GUILD - DREAM ABOUT ME
MAYER HAWTHORNE - JUST AIN'T GONNA WORK OUT
DO THE ROBOT - PLAY
THE PAINS OF BEING PURE AT HEART - YOUNG ADULT FRICTION
MOSCOW OLYMPICS - SECOND TRACE
GRASS WIDOW - TO WHERE
POMEGRANATES - TESSERACT
FAUNTS - I THINK I'LL START A FIRE
YO LA TENGO - NOTHING TO HIDE
BRAZILIAN GIRLS - GOOD TIME


Ilustração de Ian Dingman

 

Jul
27

Acerta Esse Tom


Viver na sombra de um grande nome parece ser um dos piores pesadelos para um músico. Quase todos que nascem com a pecha de novo-qualquer-coisa passam a carreira tentando se desviar do parentesco forçado. Foi o que aconteceu com o Buffalo Tom, banda que completa 20 anos de existência nesse ano e que surgiu carregando o rótulo de Dinosaur Jr. Junior. Os álbuns mais aclamados desse trio de Boston, "Let Me Come Over" e "Big Red Letter Day" (lançados em 1991 e 1993, respectivamente), abusam de estruturas densas e produção esmeirada, numa tentativa (bem sucedida) de se livrar da alcunha. Dois anos após o lançamento de "BRLD", o rótulo já não incomodava tanto e resultado foi divertido "Sleepy Eyed" (East West, 1995), o álbum mais desencanado na discografia dos americanos.

Houve quem enxergasse um declínio criativo. O olhar crítico é ajudado pela orientação mais direta do que a observada nos pomposos trabalhos anteriores. Mas é nesse álbum onde se encontram os maiores acertos melódicos do Buffalo Tom. O ínicio é devastador, com quatro composições de grande potencial radiofônico. Tangerine, uma paulada, abre os trabalhos com um gancho power-pop certeiro no ouvinte. Mais cândida e igualmente fascinante, Summer chega logo em seguida na tradição do melhor do pop rock nos anos 90. A próxima faixa não deixa o nível baixar mas deixa claro porque a comparação é inevitável: de fato, o Buffalo Tom deve muito a J. Mascis e Kitchen Door é prova irrefutável da influência. Nada que um refrão devastador não apague e a incrível Rules está ali, logo depois, para cumprir o papel.

Outras composições seguem o ritmo do power-pop frenético do início, com destaque para a pegajosa Sundress e Souvenir. Há também baladas mais densas, refazendo o clima dos dois discos anteriores como Sunday Night e Twenty-Points (The Ballad of Sexual Dependency), a segunda não tão divertida quanto o nome sugere. Balanceando seus dois lados, sem grandes preocupações, o Buffalo Tom fez de "Sleepy Eyed" seu disco mais verdadeiro. Se eles são os primogênitos do Dinosaur Jr., porque lutar contra? Não é todo mundo que tem um pai conservadão como esse.

Buffalo Tom - Sleepy Eyed - 80
Ano: 1995
Origem: EUA
Gênero: Indie-Rock/Power-Pop
IN Picks: Rules, Summer, Tangerine
Pra quem gosta de: Bob Mould, Lemonheads, Dinosaur Jr.








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Jul
26

Branco no Preto


Embora mais focado no soul, Mayer Hawthorne pertence ao mesmo universo de pesquisadores apaixonados como Jens Lekman, Dent May ou o coletivo canadense Bicycles. Hawthorne é mais um desses obcecados pela música pop dos anos 60 e 70 e fez de seu disco de estréia, "A Strange Arrangement" (Stones Throw, 2009) um tributo a música que explodia na sua cidade natal, Detroit, durante essas duas décadas.

Hawthorne já cultiva um bom número de seguidores desde que o maravilhoso single Just Ain't Gonna Work Out surgiu num sete polegadas desfilando uma elegância ironicamente incompatível com seu tipo físico. A voz que inicia esse petardo no melhor estilo Bobby Womack era mesmo daquele rapaz bem parecido Tobey Maguire na capa do álbum? Improvável, mas era. Ainda na cola de Womack, o álbum traz mais duas baladas desconcertantes: I Wish It Would Rain e a afrodisíaca Shiny And New.

Em alguns momentos, a pesquisa musical de Hawthorne se assemelha ao trabalho de grandes nomes do hip-hop como D'Angelo e Slum Village. O primeiro single, já citado, e o groove tenso de Make Her Mine são exemplos. Mas o objetivo aqui não é fazer crossover com música moderna: "A Strange Arrangement" soa mesmo como um disco gravado em 1966. Funks nervosos como The Ills e Let Me Know podem facilmente se confundir com as composições do mestre Curtis Mayfield. E como não bastava só evocar, entre 11 composições originais, Mayer Hawthorne encaixou uma versão fiel de um clássico da Motown, Maybe So, Maybe No (gravação original do New Holidays, em 1969). A necessidade de uma cover tão parecida com a original é até discutível, mas a ligação perfeita com as composições próprias torna qualquer discussão inútil. E se todos os elogios ainda não fizeram o leitor devorar esse que é um dos melhores lançamentos de 2009, tente resistir ao som do upbeat de Your Easy Lovin' Ain't Pleasin'... Impossível!

Para evitar a fadiga mental desse aspirante a crítico musical, Mayer Hawthorne deu uma força e usou uma frase definitiva para tentar explicar o seu irresistível "A Strange Arrangement": "It's old soul... but it's new!". Acertou em cheio.



Mayer Hawthorne - A Strange Arrangement - 88
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Neo-Soul/Hip-Hop
IN Picks: Just Ain't Gonna Work Out, Your Easy Lovin' Ain't Pleasin', Shiny And New
Pra quem gosta de: Dent May, Bobby Womack, D'Angelo








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Jul
25

Tédio Ambiente


O amor é cego. Jón Þór Birgisson trabalha há mais de uma década para provar que a música ambiente tem seu propósito comandando uma das bandas mais importantes da música atual, o Sigur Rós. Junto com o namorado Alex Somers, formou o Riceboy Sleeps, responsável pela estonteante parte gráfica do projeto principal. Agora, oficialmente como Jónsi & Alex, os dois jogam fora todos os elementos que levaram o Sigur Rós a subverter o gênero com o tedioso "Riceboy Sleeps" (Parlophone/EMI, 2009), óbvio pano de fundo para noites frias de sexo tântrico desse apaixonado casal islandês.

O único grande momento, Indian Summer, prova que a decisão de reduzir a paleta sonora não deu muito certo: quando o canto baixinho surge como uma onda suave, bate no ouvinte a esperança de que o projeto não sirva somente como trilha sonora de spa. Outro destaque é Boy 1904 e o inusitado sampler da única gravação conhecida de um cantor castrato. Embora seja um composição de pretensões épicas, nada impressiona mais do que a imagem do sofrimento desse rapaz (leia mais sobre o assunto na Wikipedia). É importante ressaltar que "Riceboy Sleeps" é também um livro. Sem nenhuma palavra. A intenção é que, junto ao apelo visual de 52 páginas de arte gráfica apurada, a experiência individual forme um conceito único para cada audição. E assim, baseando-se mais na experiência do ouvinte do que nos seus próprios méritos, infelizmente, o álbum não consegue provocar nenhum outro momento de emoção genuína.

Após um pouco mais de uma hora de muito tédio, se confirmam as suspeitas iniciais: "Riceboy Sleeps" é arte visual e a música funciona somente como acessório. E se o livro não tem uma letra sequer, nada mais apropriado do que a companhia de uma música ambiente fria e amorfa.

Jónsi & Alex - Riceboy Sleeps - 47
Ano: 2009
Origem: Islândia
Gênero: Ambient/Drone/Post-Rock
IN Picks: Indian Summer, Atlas Sound, Daníell in The Sea
Pra quem gosta de: Amiina, Brian Eno, Helios








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Notícias

2009-07-14 10:34

O humor tira as calças

Brüno O humor tira as calças 10.07.2009 - Joana Amaral Cardoso   Hoje é preciso escândalo para chamar a atenção. Sacha Baron Cohen consegue-o com "Brüno", filme sobre o jornalista de moda, austríaco, homossexual. Mostra tudo. E deixa o espectador nu. Que limites, hoje, para o humor?...
2009-07-14 10:34

A comédia serve-se fria com os STAN

Festival de Almada A comédia serve-se fria com os STAN 08.07.2009 - Kathleen Gomes   "of/niet" é uma raridade porque não é todos os dias que vemos os quatro actores fundadores dos STAN juntos e em palco. Dado o estado do mundo, estávamos a precisar de uma comédia, dizem. Sábado e...
2009-07-14 10:33

Manoel de Oliveira estreia filme inédito no Curtas em Vila do Conde

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2009-07-14 10:29

Brandford Marsalis continua a tentar ser uma pessoa melhor

Concerto Brandford Marsalis continua a tentar ser uma pessoa melhor 10.07.2009 - Cristina Fernandes   O pai dizia-lhe que a música é aquilo que se faz. Ou seja, é como ser uma pessoa melhor: é muito difícil mas continuamos a tentar até ao fim. Ele é um incansável explorador. Um dos...
2009-07-14 10:29

Não podemos adiar o coração

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2009-07-14 10:29

E se Jimi Hendrix tivesse sido assassinado?

Rock Roadie E se Jimi Hendrix tivesse sido assassinado? 10.07.2009 - Mário Lopes   No livro de memórias "Rock Roadie", James "Tappy" Wright, antigo "road manager" de Hendrix, diz que Jimi foi assassinado Michael Jackson morreu há duas semanas e já há quem garanta que o Rei da Pop...
2009-07-14 10:28

João Nicolau venceu o prémio de melhor curta portuguesa em Vila do Conde

Palmarés João Nicolau venceu o prémio de melhor curta portuguesa em Vila do Conde 12.07.2009   E filme franco-húngaro recebe o Grande Prémio desta 17ª edição. A melhor curta-metragem portuguesa da 17.ª edição do Festival Curtas Vila do Conde foi "Canção de Amor e Saúde", de João...
2009-07-14 10:27

Vikram Seth: mais um bom partido

Edição Vikram Seth: mais um bom partido 10.07.2009   Está a escrever uma sequela para o seu romance mais celebrado, o monumental "Um Bom Partido" O indiano Vikram Seth está a escrever uma sequela para o seu romance mais celebrado, o monumental "Um Bom Partido", que em Portugal foi...
2009-06-30 09:39

U2 estreiam palco giratório em Barcelona

Concerto U2 estreiam palco giratório em Barcelona 29.06.2009 - Vítor Belanciano   Começa hoje, em Barcelona, a digressão mundial do grupo mais conhecido do rock. Os irlandeses vão estrear uma nova estrutura giratória como palco. Segundo eles é revolucionária. Sempre que o grupo...
2009-06-30 09:39

Woody Allen volta a Nova Iorque (e aos seus judeus-tipo) com a ajuda de Larry David

O protagonista de “Whatever Works”, novo fi lme de Allen, parece ser uma síntese do realizador e David: um cínico, um céptico, um auto-alienado Whatever Works Woody Allen volta a Nova Iorque (e aos seus judeus-tipo) com a ajuda de Larry David 26.06.2009   "Whatever Works" é a...
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Notícias

2009-07-14 10:34

A comédia serve-se fria com os STAN

Festival de Almada

A comédia serve-se fria com os STAN

08.07.2009 - Kathleen Gomes
diminuiraumentar

 

"of/niet" é uma raridade porque não é todos os dias que vemos os quatro actores fundadores dos STAN juntos e em palco. Dado o estado do mundo, estávamos a precisar de uma comédia, dizem. Sábado e domingo na Culturgest

Os belgas STAN não querem que nada se intrometa entre eles e os seus espectadores, por isso nunca trabalham com encenadores. Sem deus nem chefe - nem mesmo na sombra. As peças são sempre criações colectivas, como se não fossem uma companhia de teatro mas uma cooperativa. Por telefone, perguntamos a Jolente De Keersmaeker (n. 1967), um dos quatro fundadores dos STAN - cujo nome é o acrónimo de Stop Thinking About Names - se, no fundo, no fundo, não são uma companhia de actores-encenadores. "Acho que somos uma companhia de quatro actores-executantes" (o que ela diz, em inglês, é "actors-makers"). "Não encenadores, mas executantes. E isso está presente em nós desde o conservatório: uma vontade de fazer as nossas coisas, de nos dirigirmos a nós próprios. O que significa, também, que, a dada altura, temos de distanciar-nos do que estamos a fazer."

"of/niet" ("ou/não"), o espectáculo que trazem este sábado e domingo à Culturgest, em Lisboa, integrado no Festival de Almada, reúne em palco, pela primeira vez em muito tempo, o núcleo duro dos STAN - Jolente De Keersmaeker, Damiaan De Schrijver e Frank Vercruyssen, os três fundadores da companhia em 1989, e Sara de Roo, que se juntou a eles em 1992 (Waas Gramser, o quarto fundador original, deixou-os em 1994 e é hoje membro da Comp.Marius).

A última vez que tinham feito uma peça juntos fora em 1997, com "Private Lives", de Noël Coward, e Jolente De Keersmaeker está a notar, agora mesmo, a tendência: sempre que trabalham os quatro, as escolhas recaem em comédias conjugais ásperas. "Conhecemo-nos há 25 anos, e por vezes parece que estamos numa relação matrimonial", admite Jolente sobre o quarteto de actores. Em 2006, quando os STAN estrearam "of/niet", o jornal belga "De Morgen" definiu o seu funcionamento como "uma relação aberta, em que, de tempos a tempos, os parceiros partem numa viagem individual, em vez de deixarem a casa batendo com a porta".

Na prática, isso significa que ocasionalmente seguem caminhos separados, desenvolvendo os seus projectos, a solo ou chamando outros colaboradores, e até chegam a trabalhar em produções exteriores, de outras companhias - Jolente fez "Just Before", "I said I" e "Kassandra", com a irmã, a coreógrafa Anne Teresa de Keersmaeker, e Sara de Roo trabalhou com o grupo holandês Dood Paard.

"É uma coisa que vai e vem", explica Jolente. "Às vezes sentimos: 'Agora apetece-me fazer uma coisa a solo'. Ou: 'Quero fazer um projecto sem eles'. É muito orgânico, na verdade."

E acabam sempre por voltar aos STAN. "Assim que eu sentir que já não estou a aprender nada ou que nos estamos a repetir, páro", diz. "Mas, até agora, tenho encontrado sempre novos desafios."

E é assim tão diferente quando são só os quatro? O que é que isso tem de especial? "Claro que é diferente. É fantástico porque só temos de mexer um dedo para saber: 'Oh, ele quer dizer isto'. Estamos juntos há mais de 20 anos, conhecemo-nos tão, tão bem que isso tem vantagens e também desvantagens. Mas, ao fim e ao cabo, quando olhamos para o resultado, sabe tão bem trabalhar num ambiente com estas três outras pessoas em quem posso confiar, com quem me sinto segura para correr riscos, para ser frágil, para cometer falhas. Tem sido um longo, longo percurso. E por vezes foi muito difícil atingir o ponto em que estamos agora. Houve altos e baixos. Mas sentimo-nos tão bem a fazer esta peça, ela lembra-nos o gozo que é estarmos os quatro juntos em palco."

Humor e uma guerra lá fora

"of/niet" é uma montagem de duas peças, "Party Time", escrita em 1991, por Harold Pinter, e "Relatively Speaking", do também britânico Alan Ayckbourn (escrita em 1965, e representada em Londres em 1967, foi a peça que trouxe notoriedade ao dramaturgo, que ainda não tinha 30 anos). O texto de Pinter é uma alegoria ácida sobre um mundo de conforto e privilégio, isolado e indiferente à realidade do exterior - o ambiente é o de uma "cocktail party" num clube selecto, e a peça é composta pelas conversas que os membros vão tendo entre si - sobre a piscina do clube, ilhas paradisíacas e outras frivolidades - enquanto lá fora decorre uma guerra (a cidade está vazia, há soldados nas ruas, estradas bloqueadas). Pinter escreveu "Party Time" no ano em que eclodiu a primeira Guerra do Golfo. É uma sátira com uma violência e um sadismo latentes.

"Relatively Speaking", de Ayckbourn, é uma sofisticada comédia de enganos envolvendo dois casais - um jovem visita o que julga ser a casa dos pais da namorada, quando, na verdade, trata-se da residência do antigo amante dela. Um hilariante enredo de mentiras e equívocos.

A peça de Ayckbourn - dramaturgo que tem interessado o cinema de Alain Resnais, desde "Fumar"/ "Não Fumar" - constitui 85 por cento de "of/niet", resume Jolente, e a de Pinter os restantes 15 por cento. Esta última abre e fecha a versão dos STAN, e vai pontuando o espectáculo como interlúdios.

Para lá dos temas comuns que podemos apontar às peças de Pinter e Ayckbourn - dois microcosmos de falsas aparências sob o pano de fundo de uma "Britishness" emproada, dois mundos de faz-de-conta, cada um à sua maneira -, o que é que levou os STAN a juntá-las? "Sentimos que estava na altura de fazer uma comédia outra vez. Às vezes escolhemos peças que são, digamos, um pouco mais pesadas, mas isso tem muito a ver com o espírito e o momento em que se está. Sei lá, se há uma guerra em curso no mundo, qual é a nossa resposta a ela? Se calhar, temos de fazer qualquer coisa ligeira... A dada altura, foi uma coisa do género: 'Vamos fazer uma comédia, vamos rir'."

O que explica a escolha da peça de Ayckbourn, "o exemplo perfeito da comédia de enganos, sobre dois casais que estão no lugar errado à hora errada", resume Jolente, em que "a única coisa que podemos fazer é rir com os erros tão típicos de todos os seres humanos - enganar, cometer erros, mentir e não admitir a verdade, ter medo". Mas não explica Pinter. Os STAN são conhecidos por as suas escolhas de textos e de espectáculos terem, implícita ou explicitamente, uma carga política. "Se me perguntar se [a escolha de Ayckbourn] tem algum significado político, diria que não. Claro que é um manifesto ["statement", em inglês] dizer: não se esqueçam das pessoas nestes tempos de cinismo. Mas faltava mais qualquer coisa. Tínhamos de trazer [a peça] de volta para o mundo. E o Pinter faz-nos assentar os pés na terra outra vez. 'Party Time' também é uma comédia mas tem uma nuance perversa, tem uma camada política subterrânea, é mais cínica e irónica. Isso é uma das coisas que gostamos muito no Pinter: as peças têm sempre uma dupla camada. Ao misturar 'Party Time' na peça de Ayckbourn estamos como que a inserir pequenas agulhas. Para nós, isso era um bom equilíbrio. Se fosse só o Ayckbourn, teria sido demasiado fácil. O Pinter também tem imenso humor, mas ele lembra-nos que há um mundo lá fora - que há uma guerra em curso. O que nos pareceu uma bela metáfora do que estamos a fazer quando representamos a peça - somos actores e estamos a representar e a divertirmo-nos, mas aqui ao lado o mundo continua."

A actriz conclui: "Sem ser moralista, ele faz-nos pensar que estamos a viver num mundo extremamente privilegiado, rico e luxuoso. As pessoas que vão ao teatro não são as pessoas que não conseguem ganhar a vida... Claro que houve a crise financeira mas isso não é nada comparado com o que as pessoas em África, na América do Sul ou na Índia têm de fazer para ganhar a vida."

Não é a primeira vez que os STAN afiam as facas na mira da nossa burguesia de costumes (não é por acaso que um dos autores mais representados pela companhia é o austríaco Thomas Bernhard). Perguntamos a Jolente se a velha expressão "épater le bourgeois" (chocar a classe média) ainda faz sentido, para eles. "A primeira coisa que tem de perguntar é: quem é burguês? Eu também sou burguesa, e estou a criticar os burgueses. Também estamos a falar de nós. Na sexta-feira vou apanhar um avião para actuar num teatro em Lisboa - o que é muito confortável, obviamente."

A comédia serve-se fria, e isso também se vê no dispositivo cénico. O palco é descarnado em "of/niet", o "décor" quase inexistente, os figurinos sóbrios e básicos. "Representamos com quatro cadeiras e quatro sacos de plástico, e tudo o que precisamos está dentro do saco de plástico. Não há cenário", nota. Porquê? "De outro modo, isso iria distrair da força e da espirituosidade do texto. Seria demasiada explicação, a nosso ver. Queremos dar ao público a oportunidade de construírem a sua própria história. Não é preciso construir um cenário realista, com cortinas, isto e aquilo. Quanto mais despido for, mais se consegue ir à essência da coisa."

"Of/niet" é representado em neerlandês, com legendas em português.

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