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2009-08-13 09:35

Vários at indienation.blogspot.com/

Pegando Uma Cor

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Vida de queridinhos da crítica não é assim tão fácil. O HEALTH, que lançou seu álbum auto-intitulado há dois anos com uma cota farta de elogios, tem agora uma matilha de lobos à espera de um tropeço. Confiando no seu taco, o quarteto californiano chega ao segundo semestre de 2009 com uma versão mais encorpada do seu fragmentismo pós-Boredoms em "Get Color" (Lovepump United, 2009).

No conta final, o novo trabalho tem quatro minutos a mais e duas faixas a menos que o anterior. Com excessão da fantástica Perfect Skin, nenhuma faixa de "HEALTH" chegava muito além dos três minutos e meio. "Get Color", por sua vez, traz composições mais longas, sinal de que houve empenho na intenção de torná-las mais harmoniosas. Mesmo que a ruidosa In Heat teime em dizer o contrário, o já bem sucedido single Die Slow confirma a suposição. A primeira faixa mantém os ataques percussivos e a distorção descontrolada que deram as cartas no primeiro álbum. A segunda, mais descontraída (nos termos do HEALTH), surfa na onda da boa recepção de "HEALTH//DISCO", coleção de remixes lançada no ano passado, abusando de sintetizadores. Dá pra continuar no jogo da bipolaridade usando como exemplo as duas faixas seguintes: Nice Girls é comandada pela faceta mais violenta do HEALTH. Já a impressionante Death +, mesmo longe da normalidade, recorre ao lado mais dançante do math-rock lembrando vagamente Atlas, do Battles.

Mostrando disposição incomum, o álbum continua enfileirando momentos de pura catarse, com destaque para as duas últimas faixas. Primeiro, a monumental We Are Water coloca o ouvinte na pista de dança do Belzebu, quando sua cadência rítmica frenética chega a níveis insanos. Após o apocalipse, a climática In Violent surpreende outra vez dando-se ao luxo de deixar de lado a poderosa máquina percussiva que tem a disposição. As nove audaciosas composições de "Get Color" mostram que Duzsik, BJ Miller, John Famiglietti e Jupiter Keyes não só saíram ilesos da cilada em que se meteram com sua corajosa estréia. Eles pavimentaram um caminho para ir além, o caminho de uma banda sem limites. E é exatamente disso que a música está precisando agora.

HEALTH - Get Colors - 89
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Experimental/Noise
IN Picks: We Are Water, Death+, Die Slow
Pra quem gosta de: No Age, Battles, Liars







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Ago
07

É reconfortante e assustador...

... quando você percebe o quanto você é pequeno. Eu sei, é importante se valorizar. Sei também nosso próprio instinto de sobrevivência alimenta nossa falsa impressão de que nós somos muito grandes. Mas não somos. Cada um de nós é somente mais um. E por perceber isso, agora eu me sinto completamente superior a todos vocês, seus losers sem cultura!

 

Ago
06

Baixando o Pinto


Com muito carinho, gostaria de introduzi-los (1) ao Pinto, banda de um homem só comandada pelo sueco Andreas (siga a lógica: banda de homem só, homem de um nome só). O nome pode parecer atrevido para nós, que falamos português. Porém, o nome inusitado faz todo o sentido, afinal na Suécia tudo é a maior Suécia (2). No seu site oficial, Andreas diz que "o Pinto cresceu (3) a partir de sementes de frustração e se transformou numa delicada flor de radiante música pop". Não se sabe muito sobre as durezas (4) enfrentadas pelo compositor, mas a frase deve ter um fundo de verdade, pelo menos na segunda parte: "Hook Me Up" (Krusty Still, 2007) segue mesmo a tradição da forte cena indie pop local.

De cara, o Pinto põe pra fora (5) suas influências. Usando as palavras do próprio novamente, o Pinto soa como "um cruzamento entre ABBA e Nick Drake". O ABBA é a instituição máxima da música na Suécia, assim como o Roberto Carlos, no Brasil. Sendo assim, qualquer sueco usa o exemplo para explicar que faz música pop. Então junte música pop, simplesmente, com Nick Drake (algo da sua voz característica, violão no centro...) para ver que o tal cruzamento pode ocorrer fora da cabeça de um cara meio gozadinho (6). Curiosamente, quando deixa a paixão pelo trovador inglês à mostra é o que o Pinto se torna mais imponente (7): What Is A Liar é tão bonita que chega a machucar por dentro (8).

Suecos, todos sabem, são ensinados a escrever melodias já na creche e com Andreas não poderia ser diferente: Iron & Rust, dueto com a cantora folk Anna Järvinen, mostra que o Pinto está afiado (9) no assunto. Em outros destaques como We Breathe Too Much e This Picture Needs A Fame, Andreas lembra o projeto paralelo de Mac McCaughan, o Portastatic. Há também uma inevitável comparação com Robert Pollard, não só pela curta duração das canções: na melosa (10) I Belong To You é possível ver o velho professor no microfone. O problema do Pinto é que às vezes ele é muito cabeçudo (11): as idéias repetidas fazem algumas canções da parte final perderem seu efeito, como a tola Hard Inside The Heart.

Se você parar para contar, verá que foram citados cinco destaques positivos e apenas um negativo. O saldo é de 5 contra 1 (12)! Então libere-se de conceitos medievais e caia de boca (13) nesse belo exemplar do indie-pop sueco. Será um entra e sai frenético (14) no seu player. OK, OK, chega...


Pinto - Hook Me Up - 69
Ano: 2007
Origem: Suécia
Gênero: Indie Pop
IN Picks: Iron & Rusty, This Pictures Needs A Frame, What Is A Liar
Pra quem gosta de: Portastatic, Pelle Carlberg, Club 8






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Ago
05

IndieNation Repórter





Boa Noite.
Hoje, o IndieNation Repórter investiga a dura vida de um blogueiro nas grandes cidades. Como conviver com os perigos em cada esquina? Como lidar com as ameaças das grandes organizações? Quem sofre mais, o homem ou a mulher? É o que você vai ver, a partir de agora, no IndieNation Repórter.








Nossa reportagem começa com uma denúncia sobre perseguição, ganância e preconceito. Tudo começou numa inocente pergunta, feita por um leitor não muito comum de codinome Piano Black. O rapaz gostaria de saber de que site a imagem que ilustrava o post teria sido retirada. O print do comentário, você confere abaixo:

Não, essa imagem não. Essa aqui:

O blogueiro, que prefere manter sua identidade preservada, respondeu cordialmente mas sem dar maiores detalhes. Foi o suficiente para que algumas horas depois as ameaças se tornarem cada vez mais fortes.

Num depoimento exlcusivo, o blogueiro conta como tudo aconteceu (como nós não possuímos aquele aparelho disfarçador de vozes, leia com voz de pato para tornar a experiência mais real):

"Primeiro eles mandaram eu mudar o nome da minha seção de fotos engraçadas (faz sinal de aspas), que faz referência a uma seção do sítio principal dessa organização. Logo depois, disseram que eu sofreria duras consequências. Como eu estou numa atividade praticamente ilegal, resolvi mudar o nome da seção para "se/folder", o que mantém a característica fonética original e ainda manda uma resposta a esses terríveis ameaçadores. É um nome irônico, igual o nome daquela banda inglesa, o Cansei de Ser Sexy"

Não registramos o sinal de aspas quando o blogueiro pronunciou inglesa. Nem quando pronunciou banda. Registramos sim, o medo e pânico do homem de bem diante da falência do poder público na internet. No próximo IndieNation Repórter, nós vamos investigar a vida sexual dos blogueiros. Ela realmente existe ou é um mito? E quem faz mais posts pagos, o homem ou a mulher?

Boa Noite.

 

Clipping #03






- A apresentação carioca do Beirut será mesmo no Teatro Oi Casa Grande, como confirmado pelo site da casa. Houve divulgação afirmando que o ínicio das vendas seria no dia 03 (anteontem), mas ainda não há venda virtual, nem na bilheteria. Aguarde maiores informações. Para o show em Salvador, as vendas já começaram. Em São Paulo, ainda não há nem mesmo a confirmação oficial de que haverá uma apresentação. Enquanto isso, uma nova composição de Zach Condon dá o ar da graça: é a instrumental The 11th Arrondissement, décima primeira faixa da trilha sonora de Paper Heart. Ouça:





- A Rádio Pública Americana colocou "My Old Familiar Friend", novo trabalho de Brendan Benson, para streaming no seu site. Para ouvir, clique aqui.



- Relaxe e libere seus pensamentos. Agora imagine uma composição inspirada na invasão de Cuba em 1961. Gênero? "Ambient Disco". Duração? 14 minutos. Esqueci de dizer que o compositor é Daniel Bejar, também conhecido como Destroyer. Parece bizarro demais para ser verdade, mas é. Bay Of Pigs é o lado A do EP de mesmo nome que o canadense lança no próximo dia 18. Ouça com responsabilidade:





- A dupla King Of Convenience lança disco numa data qualquer desse segundo semestre. Enquanto "Declaration Of Dependence" não vem, duas faixas já circulam pela rede, seguindo o mesma linha de "Riot On Empty Street". Baixando esse arquivo compactado, você poderá ouvir as agradáveis Boat Behind e Mrs. Cold.




- VIDEOS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO


YO LA TENGO - PERIODICALLY DOUBLE OR TRIPLE



ANDREW BIRD - ANONANIMAL (Série Cemetary Gates - Pitchfork TV)

 

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Ago
04

Não Bastaram Os Ouvidos...


"A banda mais barulhenta de Nova Iorque" está de volta. Em 2007, centenas de resenhas usaram a expressão "a banda mais barulhenta de Nova Iorque" para descrever o trio insano formado por Oliver Arckermann, Jono MOFO e Jay Space. Dois anos depois, "a banda mais barulhenta de Nova Iorque" entitula seu novo trabalho sugestivamente, implorando para que todos blogs, sites e revistas repitam que A Place To Bury Strangers é "a banda mais barulhenta de Nova Iorque". Já está com dor de cabeça de tanto ler "a banda mais barulhenta de Nova Iorque"? O IndieNation só está te preparando para o que virá...

"Exploding Head" (Mute, 2009) é o título do novo álbum da band... do power trio shoegazer. De cara, o ouvinte fica tentado a enxergar mudanças no norte musical, já que a dupla It Is Nothing e In Your Heart (apesar de nascerem tão barulhentas quanto as irmãs) guarda alguma semelhança com bandas mais maleáveis (Ride e Joy Division, respectivamente). Lost Feeling, no entanto, não nega a vocação com seus 5 minutos de barulho ensurdecedor, não recomendáveis para quem usa fones de ouvido. Mas o aperfeiçoamento do ambiente quase intransponível criado para o primeiro disco é perceptível: despida da distorção brutal, Deadbeat poderia tranquilamente frequentar pistas de dança. Keep Slipping Away é ainda mais direta, com melodia oitentista inspirada em Depeche Mode.

Só não tente ir aumentando o volume. A chance de ruídos eternos no seu ouvido são enormes se a absurda Everything Always Go Wrong rodar próxima do volume máximo. Ao contrário da faixa-título, que assusta no nome, mas pode ser encaixada na mesma categoria de Keep Slipping Away: melodia comparável a qualquer grande nome do synth-pop mas instrumental duro, inspirado no irmão mais sujo do gênero, o post-punk. Enquanto a brutalidade chega a níveis descontrolados em I Lived My Life To Stand In The Shadow Of Your Heart, dá pra pensar naqueles discos que a gente recomenda que sejam apreciados com fones de ouvidos. Porque a recomendação aqui é exatamente oposta: para o bem da sua saúde mental, não ouça "Exploding Head" com fones de ouvido. Jamais.


A Place To Bury Strangers - Exploding Head - 81
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Shoegaze/Industrial/Noise
IN Picks: Keep Slipping Away, Deadbeat, I Lived My Life To Stand In The Shadow Of Your Heart
Pra quem gosta de: Suicide, Serena-Maneesh e The Jesus And Mary Chain







A PLACE TO BURY STRANGERS - KEEP SLIPPING AWAY


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Ago
03

Barbas Lo-Fi


Os cabelos e a barba do vocalista Jesus Cris... quer dizer, Ryan Grubbs, denunciam que o Ganglians gosta das coisas ao natural. E a banda da Califónia faz mesmo parte dessa nova leva de psicodelismo folk lo-fi que engloba bons nomes como Kurt Vile e Ducktails. "É música para "acid-takers" (a tradução soaria estúpida)... mas sem todas as óbvias armadilhas do psych drone (outra tradução desnecessária)" disse Grubbs, ao tentar descrever seu próprio trabalho e, sem querer, explicando o motivo do sucesso de "Monster Head Room" (Woodsist, 2009).

Os menos de trinta segundos em que Something Should Be Said se esconde são suficientes para revelar a verdadeira intenção do Ganglians: soar como Beach Boys, não importando o recipiente musical. É o que Voodoo, logo em seguida, prova com mais eloquência, misturando os coros característicos dos clássicos de Brian Wilson a uma melodia dançante cravada por um baixo inspiradíssimo em Talking Heads. Surge então a quase insossa Lost Words, lembrando o completamente insosso Fleet Foxes e deixando no ar uma certa desconfiança, exterminada no ritual barulhento que marca a insana Valient Brave, melhor faixa do álbum. A segunda parte de "Monster Head Room" é iniciada com dois momentos de destaque no EP auto-intitulado, lançado um pouco antes do disco cheio. The Void e a explosiva 100 Years formariam juntas um buraco negro musical, num momento de total escape da realidade. Mas no meio delas, a calmaria do campo em To June não deixa o ouvinte ser carregado para o espaço.

Duas canções pastorais (Cryin' Smoke e Modern African Queen) precendendo mais um surto Beach Boys em Try To Understand, finalizam o álbum reafirmando a capacidade do grupo para moldar diferentes formas de expor suas influências. Poderia ser só mais um lançamento lo-fi da fábrica Woodsist, mas a habilidade em aparar arestas comuns do gênero faz desse um dos trabalhos mais interessantes de 2009.


Ganglians - Monster Head Room - 80
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Fuzz Folk/Lo-Fi/Psychedelic
IN Picks: Valient Brave, 100 Years, Try To Understand
Pra quem gosta de: Neil Young, Ducktails, Beach Boys








GANGLIANS - VALIENT BRAVE

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Os Outros #1

- O ótimo Lazer Guided Melodies colocou uma bela mixtape no ar, no último dia 28.


1. Cessna, "Go Easy Gavin"
2. Evie Sands, "Crazy Annie"
3. Gloria Scott, "(A Case Of) Too Much Lovemakin'"
4. The Colourfield, "Thinking of You"
5. Aberdeen, "Sink or Float"
6. Saint Etienne, "Sylvie"
7. Cinnamon, "Maybe In The Next Life"
8. Pelvs, "Even If The Sun Goes Down (I'll Surf)
9. Makin' Time, "The Girl That Touched My Soul"
10. The Wild Swans, "Northern England"
11. Ride, "From Time to Time"

Mais uma compilação que fiz e essa foi bastante trabalhosa. Achar algo que seja do nível de "Sylvie" do Saint Etienne foi realmente difícil, demorei uns dois meses, sem brincadeira. Nada combinava, até que esse final de semana estava ouvindo Cinnamon e pronto, achei a música perfeita. Espero que gostem.



Link #1: Lazer Guided Melodies - LGM Mixtape #4


- O não menos excelente Anorak, foi de podcast, o segundo Depois da Janta.


1) Grass Widow - Green Screen (Grass Widow 12″, 2009) [Make a Mess Records]
2) Real Estate - Fake Blues (Fake Blues 7″, 2009) [Woodsist]
3) Kurt Vile - Summer Demons (Fall Demon 7″, 2009) [Skulltones]
4) Yo La Tengo - Here To Fall (Popular Songs, 2009) [Matador]
5) Six Organs of Admittance - The Ballad of Charley Harper (Luminous Night, 2009) [Drag City]
6) The Pastels & Tenniscoats - About You (JAMC cover) (Two Sunsets, 2009) [Domino]
7) Ducktails - Wishes (Landscapes, 2009) [Olde English Spelling Bee]
8 ) A Sunny Day in Glasgow - Ashes grammar/Ashes maths (Ashes grammar, 2009) [Mis Ojos]
9) Young Prisms - Weekends and Treehouses (Young Prisms, 2009) [Mexican Summer]
10) Superchunk - Crossed Wires (Crossed Wires 7″, 2009) [Merge]
11) Blues Control - Good Morning (Local Flavor, 2009) [Siltbreeze]


Link #2: Anorak - Depois da Janta #2


- O simpático The Crystal Lake está com o novo single do Foxes! E a exclamação pertence ao nome da banda mesmo.



O novo single do The Foxes! é apaixonante! Tudo neste trabalho remete à criatividade e a musicalidade deste trio de Brighton. "Who Killed Rob?" é uma canção maravilhosa, com um clipe igualmente genial e hilário. Capa, letras, vocais, melodia, video, tudo neste trabalho está incrível. Ao lado do Afternoon Naps, The Besties, The Pocketbooks, The Smittens, o Foxes! vai calcando seu nome entre os grandes do pop alternativo.

MUST-LISTEN!


Link #3: Foxes! - Who Killed Rob? (2009)


- Já faz tempo, mas o estupendo César Marins andou divagando sobre "Parada Lésbica" no Escolha Estranha.

-Elas fizeram questão de ter uma parada só delas, um dia antes da Parada Gay. Felicidade gay, brilho, glamour e loosho é coisa pra bicha. Mulher que pega mulher tem que ser séria, chata e macho. Just like their fathers.

-No jornal passa a notícia, "Dia Gay no Hopi Hari", ai entram as bichas felizes, pulando, dançando, curtindo, festa dura, coisa louca. Ai entram as lésbicas. Cada pisada, uma estremecida. Fumando. Cara fechada. Boné. Bermuda.

Felicidade passou longe.


Link #4: Deve Ser Triste Ser Lésbica

 

Jul
31

See Ya Later, Innovator


Pode ser instinto defensivo, pode ser marketing pessoal, mas o esforço que o Arctic Monkeys faz no sentido da auto depreciação é notável. Logo na estréia em disco, avisavam no título que não eram nada daquilo que estavam dizendo por aí. O terceiro disco, "Humbug" (Domino, 2009), segue na mesma linha, utilizando essa expressão não muito usual que encontra tradução na ofensiva palavra fraude. Ainda não existe nenhum explicação oficial mas o título pode ter também uma carga ambiciosa, revelando uma banda bastante confiante no seu crescimento. Nesse caso, a intenção seria dar uma resposta irônica aos críticos, um lado Gallagher desconhecido da jovem banda britânica. Tanto a teoria do excesso quanto a da falta de confiança caem durante a audição do novo trabalho. Como sempre, não há nada tão bom ou tão ruim que justifique o exagerado título.

Saltam aos ouvidos de início, a maturidade vocal de Alex Turner e a habilidade de Matt Helders em conduzir as repetitivas estrutras melódicas. My Propeller, começa o álbum elevando a influência do produtor Josh Homme a níveis paródicos. Em seguida, o poderoso single Crying Lightning ainda carrega traços stoners do Queens Of The Stone Age. E isso é quase tudo o que "Humbug" tem a oferecer. Duvida? Ouça a música seguinte: se você teve algum contato com os dos dois discos anteriores dos Monkeys você provavelmente já ouviu Dangerous Animals (a semelhança com Fake Tales Of San Francisco, por exemplo, é gritante). Na continuação, os riffs circulares vão se amontoando sobre as melodias vocais já gastas de Turner e só as mãos rápidas do baterista são capazes de chamar a atenção novamente. Em Dance Little Liar, Helders rouba a cena e não larga os holofotes até Pretty Visitors, brilhando novamente. Apesar do barulho inicial sobre o álbum indicar uma influência maior, reside somente nesse faixa todo o clima Black Sabbath sugerido pelas entrevistas.

Como banda nascida e alimentada pela internet, o Arctic Monkeys aproveita e sofre com a imensa popularidade que a rede lhe proporcionou. No lugar deles, eu somente aproveitaria. Mais do que se preocupar com status, esses jovens músicos deveriam se ocupar ouvindo mais música. Só assim para oxigenar um trabalho precocemente viciado.


Arctic Monkeys - Humbug - 59
Ano: 2009
Origem: Inglaterra
Gênero: Indie-Rock
IN Picks: Crying Lightning, Pretty Visitors, Dance Little Liar
Pra quem gosta de: The Libertines, The Clash, The Cribs






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Jul
30

Heartbeats #1 - Podcast


NÃOFODCAST #1: SHOEGAZE/INDIETRONICA










Acesse a página do Heartbeats no Mevio:
http://indienationbr.mevio.com/

Ou baixe o programa aqui

RADIO DEPT. - DAVID
SCHOOL OF SEVEN BELLS - HALF ASLEEP
THE DEPRECIATION GUILD - DREAM ABOUT ME
MAYER HAWTHORNE - JUST AIN'T GONNA WORK OUT
DO THE ROBOT - PLAY
THE PAINS OF BEING PURE AT HEART - YOUNG ADULT FRICTION
MOSCOW OLYMPICS - SECOND TRACE
GRASS WIDOW - TO WHERE
POMEGRANATES - TESSERACT
FAUNTS - I THINK I'LL START A FIRE
YO LA TENGO - NOTHING TO HIDE
BRAZILIAN GIRLS - GOOD TIME


Ilustração de Ian Dingman

 

Jul
27

Acerta Esse Tom


Viver na sombra de um grande nome parece ser um dos piores pesadelos para um músico. Quase todos que nascem com a pecha de novo-qualquer-coisa passam a carreira tentando se desviar do parentesco forçado. Foi o que aconteceu com o Buffalo Tom, banda que completa 20 anos de existência nesse ano e que surgiu carregando o rótulo de Dinosaur Jr. Junior. Os álbuns mais aclamados desse trio de Boston, "Let Me Come Over" e "Big Red Letter Day" (lançados em 1991 e 1993, respectivamente), abusam de estruturas densas e produção esmeirada, numa tentativa (bem sucedida) de se livrar da alcunha. Dois anos após o lançamento de "BRLD", o rótulo já não incomodava tanto e resultado foi divertido "Sleepy Eyed" (East West, 1995), o álbum mais desencanado na discografia dos americanos.

Houve quem enxergasse um declínio criativo. O olhar crítico é ajudado pela orientação mais direta do que a observada nos pomposos trabalhos anteriores. Mas é nesse álbum onde se encontram os maiores acertos melódicos do Buffalo Tom. O ínicio é devastador, com quatro composições de grande potencial radiofônico. Tangerine, uma paulada, abre os trabalhos com um gancho power-pop certeiro no ouvinte. Mais cândida e igualmente fascinante, Summer chega logo em seguida na tradição do melhor do pop rock nos anos 90. A próxima faixa não deixa o nível baixar mas deixa claro porque a comparação é inevitável: de fato, o Buffalo Tom deve muito a J. Mascis e Kitchen Door é prova irrefutável da influência. Nada que um refrão devastador não apague e a incrível Rules está ali, logo depois, para cumprir o papel.

Outras composições seguem o ritmo do power-pop frenético do início, com destaque para a pegajosa Sundress e Souvenir. Há também baladas mais densas, refazendo o clima dos dois discos anteriores como Sunday Night e Twenty-Points (The Ballad of Sexual Dependency), a segunda não tão divertida quanto o nome sugere. Balanceando seus dois lados, sem grandes preocupações, o Buffalo Tom fez de "Sleepy Eyed" seu disco mais verdadeiro. Se eles são os primogênitos do Dinosaur Jr., porque lutar contra? Não é todo mundo que tem um pai conservadão como esse.

Buffalo Tom - Sleepy Eyed - 80
Ano: 1995
Origem: EUA
Gênero: Indie-Rock/Power-Pop
IN Picks: Rules, Summer, Tangerine
Pra quem gosta de: Bob Mould, Lemonheads, Dinosaur Jr.








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Jul
26

Branco no Preto


Embora mais focado no soul, Mayer Hawthorne pertence ao mesmo universo de pesquisadores apaixonados como Jens Lekman, Dent May ou o coletivo canadense Bicycles. Hawthorne é mais um desses obcecados pela música pop dos anos 60 e 70 e fez de seu disco de estréia, "A Strange Arrangement" (Stones Throw, 2009) um tributo a música que explodia na sua cidade natal, Detroit, durante essas duas décadas.

Hawthorne já cultiva um bom número de seguidores desde que o maravilhoso single Just Ain't Gonna Work Out surgiu num sete polegadas desfilando uma elegância ironicamente incompatível com seu tipo físico. A voz que inicia esse petardo no melhor estilo Bobby Womack era mesmo daquele rapaz bem parecido Tobey Maguire na capa do álbum? Improvável, mas era. Ainda na cola de Womack, o álbum traz mais duas baladas desconcertantes: I Wish It Would Rain e a afrodisíaca Shiny And New.

Em alguns momentos, a pesquisa musical de Hawthorne se assemelha ao trabalho de grandes nomes do hip-hop como D'Angelo e Slum Village. O primeiro single, já citado, e o groove tenso de Make Her Mine são exemplos. Mas o objetivo aqui não é fazer crossover com música moderna: "A Strange Arrangement" soa mesmo como um disco gravado em 1966. Funks nervosos como The Ills e Let Me Know podem facilmente se confundir com as composições do mestre Curtis Mayfield. E como não bastava só evocar, entre 11 composições originais, Mayer Hawthorne encaixou uma versão fiel de um clássico da Motown, Maybe So, Maybe No (gravação original do New Holidays, em 1969). A necessidade de uma cover tão parecida com a original é até discutível, mas a ligação perfeita com as composições próprias torna qualquer discussão inútil. E se todos os elogios ainda não fizeram o leitor devorar esse que é um dos melhores lançamentos de 2009, tente resistir ao som do upbeat de Your Easy Lovin' Ain't Pleasin'... Impossível!

Para evitar a fadiga mental desse aspirante a crítico musical, Mayer Hawthorne deu uma força e usou uma frase definitiva para tentar explicar o seu irresistível "A Strange Arrangement": "It's old soul... but it's new!". Acertou em cheio.



Mayer Hawthorne - A Strange Arrangement - 88
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Neo-Soul/Hip-Hop
IN Picks: Just Ain't Gonna Work Out, Your Easy Lovin' Ain't Pleasin', Shiny And New
Pra quem gosta de: Dent May, Bobby Womack, D'Angelo








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Jul
25

Tédio Ambiente


O amor é cego. Jón Þór Birgisson trabalha há mais de uma década para provar que a música ambiente tem seu propósito comandando uma das bandas mais importantes da música atual, o Sigur Rós. Junto com o namorado Alex Somers, formou o Riceboy Sleeps, responsável pela estonteante parte gráfica do projeto principal. Agora, oficialmente como Jónsi & Alex, os dois jogam fora todos os elementos que levaram o Sigur Rós a subverter o gênero com o tedioso "Riceboy Sleeps" (Parlophone/EMI, 2009), óbvio pano de fundo para noites frias de sexo tântrico desse apaixonado casal islandês.

O único grande momento, Indian Summer, prova que a decisão de reduzir a paleta sonora não deu muito certo: quando o canto baixinho surge como uma onda suave, bate no ouvinte a esperança de que o projeto não sirva somente como trilha sonora de spa. Outro destaque é Boy 1904 e o inusitado sampler da única gravação conhecida de um cantor castrato. Embora seja um composição de pretensões épicas, nada impressiona mais do que a imagem do sofrimento desse rapaz (leia mais sobre o assunto na Wikipedia). É importante ressaltar que "Riceboy Sleeps" é também um livro. Sem nenhuma palavra. A intenção é que, junto ao apelo visual de 52 páginas de arte gráfica apurada, a experiência individual forme um conceito único para cada audição. E assim, baseando-se mais na experiência do ouvinte do que nos seus próprios méritos, infelizmente, o álbum não consegue provocar nenhum outro momento de emoção genuína.

Após um pouco mais de uma hora de muito tédio, se confirmam as suspeitas iniciais: "Riceboy Sleeps" é arte visual e a música funciona somente como acessório. E se o livro não tem uma letra sequer, nada mais apropriado do que a companhia de uma música ambiente fria e amorfa.

Jónsi & Alex - Riceboy Sleeps - 47
Ano: 2009
Origem: Islândia
Gênero: Ambient/Drone/Post-Rock
IN Picks: Indian Summer, Atlas Sound, Daníell in The Sea
Pra quem gosta de: Amiina, Brian Eno, Helios








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2009-05-18 14:35

Wilco (A Resenha) by http://www.indienation.com.br/

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Wilco (A Resenha)

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Houve um tempo em que o Jeff Tweedy, líder do Wilco, abriu um disco dizendo coisas como "This is not a joke/So please stop smiling". Mas sabe como é, uma daquelas verdades imbatíveis é a que diz que "o tempo traz sabedoria". Tweedy agora sabe lidar melhor com as dores de cabeça, as figuradas e as fisiológicas e, após fértil período de céu azul, é capaz de colocar um solitário camelo aniversariante na capa de disco chamado "Wilco (The Album)" (Nonesuch Records, 2009).

Além de demonstrar bom humor, colocar o mesmo nome da banda num álbum depois de tantos outros talvez tenha a intenção de dizer que esse é o Wilco em sua essência. Colocar o mesmo nome da banda e do disco na primeira música talvez seja narcisismo... mas não é: em Wilco (The Song), Tweedy mostra que o Wilco se importa muito com os outros. Mais do isso, o Wilco te ama, baby! Então esse é um disco bem humorado, excêntrico, de uma banda que se auto celebra? Nenhuma dessas impressões resiste até o final. Bom humor, como o da primeira faixa, não se acha mais durante o álbum. Bom humor, como o de "Sky Blue Sky", aquele bom humor da manhã, esse sim, dá pra encontrar: You And I, com participação de Leslie Feist, é um bom exemplo do "dad rock" que muitos fãs ainda não se acostumaram. A voz amena da canadense casa-se perfeitamente com o clima e pode fazer com que esse fãs se acostumem com mais facilidade.

E se nem Feist conseguir, é melhor que escolham outra banda para idolatrar. Country Disappeared, um baladão de cortar o coração, One Wing, no mesmo clima e You Never Know ("levemente" inspirada em "All Things Must Pass", de George Harrison) carregam o mesmo conceito do álbum anterior. A sorte deles é que esse não é o álbum mais regular do Wilco. Bull Black Nova, melhor momento do disco, remete a Spiders (Kidsmoke), clássico de "A Ghost Is Born", na única vez em que o ótimo Neils Cline tem oportunidade de mostrar todo seu potencial. Já Sunny Feeling vai mais longe(exatamente até 1995, ano de lançamento do primiro disco, "A.M"), para relembrar de onde é que tiraram esse termo esquisito chamado alt-country.

"Wilco (The Album)" segue nesse mar de irregularidade. E por isso perde se for comparado com os celebradíssimos trabalhos anteriores (até mesmo na comparação com o divisor de opiniões "Sky Blue Sky"). Não é pelo abandono das composições mais audaciosas, afinal música não precisa ser sempre um quebra-cabeça insolúvel. Só não deve ser preguiçosa, também. Se você tiver a mesma opinião do IndieNation, não precisa se sentir culpado. O Wilco vai te amar mesmo assim, baby!


Wilco - Wilco (The Album) - 69
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Alt-Country
IN Picks: Bull Black Nova, Wilco (The Song), You And I
Pra quem gosta de: Pernice Brothers, Lambchop, Steely Dan






Wilco - Bull Black Nova
Wilco - Wilco (The Song)



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2009-05-18 14:32

Clipping by http://www.indienation.com.br/

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- Nossas preces foram atendidas: O Broken Social Scene está gravando disco novo, segundo Kevin Drew, no site oficial. Dessa vez é Broken Social Scene apresentando... Broken Social Scene.


- O baixista do Pearl Jam, Jeff Ament, foi assaltado em Atlanta, em frente ao estúdio onde a banda finaliza seu próximo disco (a previsão é que seja lançado ainda esse ano). Duvida? Olha o B.O., aqui e aqui. Duvida? Tem vídeo do assalto! Como deve ser horrível viver numa cidade tão violenta... (É a segunda vez que uso a piada, então quem já (não) riu da primeira vez, me desculpe)


- Dica do Abonico Smith, do portal Mondo Bacana: O Beirut passa no Rio, Recife e São Paulo, segundo o próprio Zach Condon. Quem conversou com ele foi Julia Petit, dona do Petiscos.


- Não bastava ser dinamarquês: o Mew colocará um poema como TÍTULO do seu novo álbum. "No more stories/Are told today I'm sorry/They washed away/No more stories/The world is grey/I'm tired/Let's wash away" é o nome do disco que fará Sufjan Stevens explodir de inveja. Segundo o P4F, duas faixas foram entiuladas somente com figuras, no melhor estilo Prince.


VAZOU!!!
Vivian Girls - Moped Girls 7"
Eels - My Timing Is Off
Sunn O))) - Monoliths & Dimensions
Wolf Eyes -Always Wrong
Jeremy Enigk - OK Bear

VIDEOS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO
 

VIVIAN GIRLS - MOPED GIRLS



GOD HELP THE GIRL - COME MONDAY NIGHT



GRIZZLY BEAR - TWO WEEKS

 

Esta postagem foi escrita por César M. e enviada às 18:50. Arquivada em: / / . Bookmark the permalink . Siga comentários pelo RSS Feed deste post . Envie um comentário ( Pop Up )

2009-05-15 19:07

"AURORA"

"AURORA"


Têm nome de senhora mas postura de «mademoiselle», menineira na forma como brincam com as canções, as referências – que vão da música aos filmes, passando pelas mais expressivas artes de rua – e com o seu próprio percurso, menos jovem do que a sorridente «cara» deste EP possa indicar. Aurora pinta-se com as mesmas cores – ligeiras e esperançosas, logo irresistíveis – de um nascer do sol, e representa de facto uma nova jornada na vida de uma banda cujas primeiras «medalhas» – uma aplaudida passagem por Paredes de Coura, um segundo lugar no Termómetro Unplugged – começaram a ser coleccionadas ainda na década de 90. Naturais de Viana do Castelo, Juvenal Vieira, Pedro Amaro, Paulo Oliveira, Paulo Gonçalves e José Ribeiro provam, na mão cheia de canções que Aurora traz, que conseguem ser felizes em qualquer parte do mundo em que o sol brilhe – e até em Inglaterra, com cuja pop mais clássica dançam em «Queens of the Twilight», a música que abre o disco.

Tapando, nas fotos promocionais, as suas próprias caras com retratos de Jim Morrison, Jimi Hendrix, John Lennon, Sly Stone e Elvis Presley, os Madame Godard fazem do mundo e dos seus heróis um recreio pessoal: «Love Is Poker» encontra-os numa roda-viva entre o calor latino e as sugestões balcânicas, via sopros; «Hardly Alone» é um samba-jazz, com vénia cantada a mitos universais (Hitchcock, Marvin Gaye, Jacques Tati, Martin Luther King, Freud, Gilberto Gil); «Ladies & Gentleman» traz um carrossel incorporado, graças aos teclados praticamente power pop.

Quem baptiza uma música de «Love Is Poker» – tema convocado para a compilação FNAC de Novos Talentos 2008 – só pode ter da vida uma perspectiva saudavelmente lúdica. Com «ofícios» como o teatro de rua, as danças africanas e o DJing de música funk nas actividades extra-curriculares, os Madame Godard equilibram este sorriso aberto para o mundo com os riscos que – juram a pés juntos – são essenciais para manter o coração da banda a bater.

Na badalada actuação em Paredes de Coura, no Verão de 1999, os Madame Godard deram que falar ao apresentarem-se em palco com uma orquestra de 15 elementos. Em Aurora, só precisam dos «suspeitos do costume» – o theremin, o violino, o trompete… as palminhas! – para assinarem cinco canções joviais que, na medida certa, se levam a sério.

Enquanto o primeiro longa-duração, produzido por Paulo Miranda (obreiro de discos de Old Jerusalem ou Paulo Furtado) não desabrocha, Aurora e a sua música graciosa, burlesca e tropical é mais do que suficiente para aquecer os nossos dias.

2009-05-14 12:46

Surfadelica by http://www.coquetelmolotov.com.br

Artista: Surfadelica
Album: Surfing On The Desertshore
Gravadora:

Palavras: Rubens da Costa Leme em 19.04.2008

Fazer rock no Brasil é missão ingrata. Por sorte, existem alguns abnegados que continuam desafiando o "bom-senso" e abrem novas trilhas. O trio Surfadelica é um deles. Com 18 meses de vida - começaram em novembro de 2006 - o grupo lançou este mês o primeiro CD pela Pisces Records, Surfing On The Desertshore. O mais incrível é a proposta do trio formado por guitarrista Carlos Nishimiya (guitarra), JC Goes Rock (bateria) e Mauricio Guedesson (baixo): surf-music instrumental com influências de grunge, shoegazer e psicodelismo.


"O disco vem recebendo elogios de críticos no exterior e o Surfadelica continua cheio de gás para novos projetos e espera surfar muito mais em breve"

O grupo vem acumulando excelente repertório e tomou a decisão de se apresentar apenas quando tivessem um bom número de músicas. Após participarem da coletânea Brazilian Surf A-Go-Go, The Attack Of the Tiki Waves Vol.1 , projeto organizado por Gabriel, dos Autoramas, e lançado apenas em Portugal, o grupo começou a trabalhar em um CD próprio. O resultado é excelente.

Com produção de Carlos Nishimiya e tendo em Sandro Garcia (Continental Combo) um dedicado engenheiro de som, a banda mostra suas armas. Carlos mostra-se afiado como guitarrista e compositor, abusando das mais incomuns texturas de suas guitarras. JC e Mauricio formam uma "cozinha" segura e criativa e que ambientam perfeitamente as canções.

O disco abre com a soturna "Surf Me To The Moons Of Saturn", que mais parece uma música dos antigos filmes dos anos 50. Não seria loucura imaginá-la num disco dos Cramps. Ela já havia sido gravada em dezembro de 2006 para uma coletânea do selo inglês Cordelia Records, mas ganhou um novo arranjo. "Freakin' Out Surfin' In" tem uma guitarra pesada na abertura, muita distorção, com alguns momentos mais lentos. A terceira faixa, "Flowing Through The Purple Sea" é um dos momentos mais bonitos do CD; minha favorita, no entanto, é Roswell, quarta faixa, uma faixa muito bem trabalhada e com grandes variações, ótima para se dançar, por exemplo. Igualmente boas são "Quasimoto", "Nobody's Fault" e delicada "View From The Plateau".

O disco vem recebendo elogios de críticos no exterior e o Surfadelica continua cheio de gás para novos projetos e espera surfar muito mais em breve. Um dos grandes lançamentos do rock brasileiro em 2008.Para se adquirir o disco e saber mais da banda, basta ir ao site do grupo, http://www.surfadelica.com ou ver a página deles no myspace (http://www.myspace.com/surfadelica).

2009-05-14 12:45

The Dead Lover’s Twisted Heart by http://www.coquetelmolotov.com.br

The Dead Lover’s Twisted Heart
Palavras: Bonifrate (Supercordas) | Foto: Divulgação em 24.03.2009


 

Em janeiro de 2007, fomos tocar pela primeira vez em Belo Horizonte. Um fim de semana acabou virando uma semana, e acho que até hoje não voltamos de lá de fato. Posso dizer que a culpa dessa esbórnia utópica e interminável é quase que inteiramente dos nossos anfitriões no palco d’A Obra: os Dead Lover’s Twisted Heart! Era tempo de pais viajando e férias universitárias: interiores sendo devidamente aproveitados para a velha sociabilidade beatnik, pequenas festas homéricas e, acima de qualquer coisa, música!

E foi um tentáculo poderoso desta mesma música que vimos descendo as escadas d’A Obra durante a incrivelmente esperada apresentação dos DLTH. Uma cidadela inteira de Filhos do Grande Magneto se acotovelavam, se esfregavam e se amavam dentro dos suados limites da histórica casa mineira enquanto Ivan, Guto, Velvs e Pat projetavam uma anarquia de guitarras folclóricas, cadências robóticas do delta e mensagens dionísicas proferidas no idioma del grão rei Elvis. O mar de loucura que se seguiu a esta primeira impressão demonstrou por A+B que os Lovers são algumas das figuras mais insanamente bacanas que conhecemos nestes últimos anos.

Aqui, os Lovers discorrem sobre a gravação de um novo disco, free, freak e anti folk, e muito mais.


"A idéia era muito simples no começo, tocar as nossas músicas o mais alto possível e nos divertirmos o mais loucamente possível. E ainda é!"

Qual é a sua música favorita do Daniel Johnston?
Daniel Johnston já gravou muita coisa nessa vida, não é? Nos anos 80 ele escrevia músicas uma atrás da outra... Um folkie de primeira: três acordes no violão, às vezes uma harmonia um pouquinho mais complicada no piano, uma melodia bonita com pinta de clássico, e uma letra melancólica e auto-irônica, maravilhosa. Era muito natural e, poxa, ele escreve músicas até hoje... Talvez a favorita seja o clássico “True Love Will Find You in the End” (que tem o verso:“true love is searching too but how can it recognize you unless you step out into the light?”, bonito demais, né?). Mas você já viu a letra da “Dead Lover’s Twisted Heart”?
 
Como vocês eram na adolescência?
Quando nos conhecemos nessa época, dos 16, 17 anos, éramos de uma turma enorme, todos cabeludos. O pessoal tinha umas bandas de punk rock sensacionais aqui em BH e íamos juntos aos shows. Mas éramos muito misturados, meio confusos, e da mesma forma que curtíamos o Yes, curtíamos os Dead Kennedys, e os filmes do Bergman. A Pat, nós conhecemos um tempo depois, nos shows da Diesel, ou antes até, na “cena” hardcore de BH, que foi outra parada que juntou muita gente por aqui.
 
E como vocês se juntaram para formar o DLTH?
Antes a banda era formada por Ivan, Velvs, Guto e Marcelo na bateria. No fim de 2006, gravamos o EP demo na casa do Velvs, totalmente independente, com dois canais. Juntamos os amigos e os equipamentos que tínhamos e nos enfurnamos nessa casa durante um mês. Foi assim que surgiu o EP What is it for?, que está na internet. Entretanto, nessa época ainda não havíamos definido nome, tínhamos poucas músicas e nunca havíamos tocado ao vivo. Logo após as gravações, ainda no processo de mixagem, o baterista Marcelo decidiu sair da banda. Foi então que na porta de um clube aqui de BH encontramos a Pat por acaso. Ela tinha uma banda e tocava bateria. Começamos a ensaiar e a partir daí surgiu o DLTH.
 
É legal ter uma menina na bateria? Adris do Harry Pussy ou Moe Tucker do Velvet Underground foram fonte de inspiração?
Acreditamos que o interessante foi a diferença de estilo em relação ao antigo baterista. São outras referências, outra sensibilidade, assim como a pegada que também variou. Em função dessa mudança, a Pat teve total liberdade para trabalhar as músicas, fazer novos arranjos, colocar um pouco da cara dela na nova fase que acabou virando o DLTH. E isso é ótimo porque cada um de nós tem sua própria referência e estilo, e tudo isso acaba sendo somado ao nosso som. Pat sempre diz que os bateristas que a inspira são John Bohan e Cindy Blackman.
 
Fiquei sabendo que as apresentações estão melhorando...
We’re getting better all the time, baby! Começamos muito cru, é verdade. Mas a idéia era muito simples no começo, tocar as nossas músicas o mais alto possível e nos divertirmos o mais loucamente possível. E ainda é! Por isso mesmo sempre tentamos renovar o nosso show. Por outro lado, tem um conhecimento aí que é de estrada, de conhecer os equipamentos, saber se adaptar a qualquer (qualquer mesmo) situação de palco, amplificador, voz, retorno. Você pode tocar muito bem, mas você tem que entender de equipamento para tirar um som legal no palco, isso estamos aprendendo.
 
Depois da síndrome do filme Juno e da cantora Mallu Magalhães, vocês têm medo do que pode acontecer com o futuro do folk rock?
Bem, na verdade a gente vê o nosso som mais próximo dessas versões livres do folk que vem surgindo, e que, aliás, talvez seja forma mais comum na qual o folk vem voltando à tona: o free folk, o freak folk, o anti-folk... É o que chamam da “new weird America” e esse nome é ótimo, afinal esses artistas do novo folk são todos meio outsiders americanos, doidões que fazem um som livre, às vezes bem simples, mas sempre com vida. Nesse sentido, sentimos uma identificação muito grande com gente do tipo Moldy Peaches, Sufjan Stevens, Danielson, Neutral Milk Hotel, CocoRosie. É um povo muito estranho na verdade, e se você nos contasse há dois anos que “Anyone Else But You” do Moldy Peaches iria virar um hit mundial por conta de um filme meio low-fi tipo Juno, blá, não acreditaríamos. Mas isso é bom! Talvez o mundo (ou uma boa parte dele) tenha cansado daquela tiração de onda meio Motley Crue da parte dos artistas e talvez queira mais Moldy Peaches. Mais honestidade. A Mallu também está nesta dança.
 

Que tipo de bêbados são vocês?
O Guto é um bêbado alto astral, Velvs costuma dançar só de cueca, o Ivan é um bêbado ranzinza e a Pat é quem dirige o carro conosco de volta prá casa, sem carteira.

Website: www.myspace.com/thedeadloverstwisteheart

2009-05-11 12:32

Clipping #02 by http://www.indienation.com.br/

 

Clipping #02

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- E o Wilco cismou que é engraçado: vejam a capa de "Wilco (The Album)", que o Pitchfork revelou no final da semana:




- Sobre a falta de shows no Rio de Janeiro, anote mais um: Cat Power se apresenta, somente na cidade de São Paulo, no dia 18 de Julho (Via Funchal, ingressos a venda). No mesmo dia em que o primeiro clipping foi ao ar, o blog Rio Fanzine, do Jornal O Globo levantou a mesma questão. Veja o post e leia os mais de 120 comentários (é preciso ser cadastrado para comentar).




- Mais um??? Mais um??? Pois é, Friendly Fires, vem ao Brasil para apresentação única, também em São Paulo. Bom, nesse caso, ainda bem que é uma só mesmo...



- Pelo menos, lá pro fim do ano, um grande evento está garantido... O Oi Fashion Rocks virou realidade e acontece no dia 24 de outubro. É uma mistura de desfile e show que deve contar com a presença de Foo Fighters... e Beyoncé... ah, esquece...




- A vocalista da banda paulistana CSS, que responde pela alcunha de Lovefoxxx, disse que o segundo disco da banda é uma grande bomba. Se não for mais uma daquelas piadas que crítico não entende, muita gente vai ficar decepcionada. Porque quando o IndieNation generosamente concedeu 32 pontos na escala Cesarius ao péssimo "Donkey", nós recebemos muitos comentários ferozes e indignados. Vamos relembrar???

Anônimo
disse...

"tipo que complexo de indie é foda. ainda bem que a classe bem nascida não precisa se preocupar em parecer inteligente e entediada o dia inteiro.
donkey é infinitas vezes mais divertido que o álbum chato do sigur rós, por exemplo. ou gostar da vida bucólica também não é receita pré-fabricada de sucesso no sub-mundo?"

abz disse...

"....ah como eu gostaria de ter uma banda e compartilhar os maiores festivais do mundo me divertindo com várias das minhas bandas preferidas.....mas como eu não posso....vamos detonar essa galera aí q, apesar de descaradamente pop....estão fazendo tudo q eu gostaria de fazer....blargh..."donkey é infinitas vezes mais divertido que o álbum chato do sigur rós"...diz o anônimo....infelizmente...corretíssimo...
malhar é fácil...o difícil é acertar a mão...fazer melhor ...e chegar lá!!!!"

cristiano disse...

"CSS é assim mesmo!!! autêntico! não tem pose. tem o murro na cara que é o fazer o que se quer, seja indie, pop, rock, electro ou o raio que os parta. CSS é chato???? não! é levezinho, é tipo chiclet, vamos mastigando e quando cansamos cuspimos fora. depois é só comprar outra e lá vem o mesmo doce sabor. CSS é pastilha elástica doce que dura o tempo que quisermos...
este álbum ainda não sei o tempo que vai durar, mas o primeiro eu mastigo ainda hoje com muito prazer.
a comparação com SIGUR RÓS é extremista (até porque são uma das bandas mais interessantes destes últimos anos), mas compreendo que há momentos para tudo. ouvir SIGUR RÓS num club manhoso cheio de gente aos pulos que quer esquecer o dia de trabalho e todas as coisas ruins que existem no mundo é assustador!!! mas CSS nessa situação de prazer leva o povo ao rubro. CSS é bom e vocês sabem disso, mesmo quem diz que não ;)
CSS é foda da boa!"

Denis disse...

"Permita-me dizer, César M., esse tipo de "crítica" que tu faz nem merece consideração. Parece que tu foi um dos 'agredidos' com a ascenção do CSS (tempos atrás) e tá descontando agora, atrasado, rs. Complexo de indie, bem dito ali em cima. Mas, enfim, não sou de entrar em blá blá blá, como o texto desse post. Pra me redimir, vou lhe oferecer trégua. Pega o novo do Fleet Foxes (postei na comunidade da inmwt), se ainda não o tem, e deleite-se então com música com valor estético. E vê se te dedica a escrever sobre sons bons então, ao invés de perder tempo fazendo a mesma crítica que neguinho fez há anos atrás. Amplia o horizonte, meu caro, e aproveita o teu tempo e o nosso fazendo algo melhor. Abs!"



- VAZOU!
Tortoise - Beacons of Ancestorship
Mark Kozelek - Lost Verses
Riceboy Sleeps - Riceboy Sleeps (para fãs de Sigur Rós)
Deerhunter - Rainwater Cassette Exchange




- VÍDEOS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO

THE PAINS OF BEING PURE AT HEART - YOUNG ADULT FRICTION



WHITE RABBITS - PERCUSSION GUN



HUMAN HIGHWAY - THE SOUND

 

2009-05-11 12:31

Sério que você não curte Caê? by Sério que você não curte Caê?

 

Sério que você não curte Caê?

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Eles têm a mesma idade. Os dois, inseguros mesmo depois de 66 anos vividos, querem saber se ainda são relevantes. Bob Dylan, o tema central da resenha do César Paulistano que está exatamente abaixo dessa, conseguiu fazer muita gente acreditar que o seu "Modern Times" era uma volta a forma, em 2006. No mesmo ano, Caetano Veloso descobriu a cena por trás dos Hermanos e procurou o rock em "Cê", um álbum corajoso (embora constrangedor, às vezes). Pra completar as coincidências lançaram, em abril de 2009, dois discos que tentam desvendar se o final da primeira década do século 21 ainda guarda um lugarzinho para dois heróis dos anos 60.
O herói brasileiro é o resenhado da vez. Pra evitar muitas análises sobre intenção, Caetano escolheu estampar uma foto noturna do mar do Leblon na frente de "Zii e Zie" (Universal, 2009). - "Hum, é provável que ele queira falar sobre o Rio de Janeiro". Sobre um Rio diferente, um Rio mais escuro, o Rio à noite. Perdeu, primeira canção do disco é um samba de guitarras, só pra reforçar a idéia. Guitarras que chegam a gritar forte, depois que (mais) um manifesto sobre o ciclo vicioso da violência na cidade for declamado por Caetano Veloso. A idéia de ouvir o discurso novamente pode parecer pavorosa mas, de alguma maneira, funciona. Sem Cais, quase tola, vai além de Copabacana e do Corcovado ("Barra, Gávea, e Arpoador" para ser mais exato) e agrada. Já Por Quem? investe nas paisagens mais escapistas do lado B de "Cê", arriscando mais (arriscando a paciência do ouvinte, também).
A partir daí, o álbum desce ladeira abaixo, em direção à breguice oitentista da pior fase de Caetano. O "Prêmio Você Foi Mó Rata Comigo" 2009, dedicado às frases mais irritantes do ano, vai ser duramente disputado por essas duas linhas magníficas: "O homem é o Lobão do homem" ou "Tarado-Tarado-Tarado-Tarado-Tarado-Tarado ni você". Escolha dificil, hein? A primeira foi retirada da pavorosa Lobão Tem Razão, que só não é pior do que o Acústico do Ex-Capitão Independente. A segunda é só mais uma linha infeliz de Tarado, uma forçada de barra desnecessária para um monstro como Caetano. Calma que ainda tem coisa pior: Base de Guantánamo é um erro crasso, uma das piores coisas já escritas nos mais 40 anos de carreira do compositor baiano. Pense naqueles musicais do Zorra Total. Agora imagine que um desses musicais seja sobre cultura hip-hop. A melodia escrota resultante desse idéia diabólica é exatamente a mesma da sexta faixa de "Zii e Zie". Acompanha um letra-denúncia completamente inapropriada? Não? Enfim...
No meio de tudo isso, um momento brilhante: Incompatibilidade de Gênios, mais um samba elétrico, esse composto por João Bosco e Aldir Blanc, radiante na voz de Caetano. Falso Leblon também se salva, puxando um papo sobre a decadência cultural da cidade. Na parte final, aí sim, reconhece-se um esforço maior pra não ser só mais um dinossauro: Ingenuidade, antigo samba já cantado pr Clementina de Jesus, é simplesmente adorável. Assim como a declaração de amor ao bairro preferido de todas as sextas feiras, a Lapa (OK, a pronúncia esquisita da palavra cool gera um certo efeito cômico, mas ainda assim é adorável). Diferentemente fecha o álbum com letra nonsense mas divertida, investindo mais uma vez num sambinha-canção.
Afirmar que artistas desse porte não precisam mais desafiar ninguém é uma verdade, mas uma verdade cruel. Felizmente, Caetano também entendeu isso e é louvavel seu esforço para dar relevância ao seu trabalho atual. A BandaCê é muito reverente? Sim. Caetano parece deslocado, às vezes? Sim. Verborragia e Caê são quase sinônimos? Sim, também. Mas diante da imagem de um revolucionário cansado e cansativo revisitando momentos dispensáveis do cancioneiro popular, esses percalços parecem pequenos... Só basta ter boa vontade (você vai precisar, de verdade). Porque, como o Rio, Caetano ainda tem seu charme.


Caetano Veloso - Zii E Zie - 67
Ano: 2009
Origem: Brasil
Gênero: MPB/Samba
IN Picks: Ingenuidade, Incompatibilidade de Gênios, Perdeu
Pra quem gosta de: Zona Sul, baseado, Maria Rita, +2






Caetano Veloso - Incompatibilidade de Gênios
Caetano Veloso - Perdeu

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2009-05-11 12:30

Sério que você não curte Dylan? by http://www.indienation.com.br/

 

Sério que você não curte Dylan?

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"Nossa, como assim você não gosta do mestre Dylan? Ele é a lenda viva, meu Elvis!"
 


Conforme a internet entrou na vida dos brasileiros, uma febre sem grandes explicações tomou conta dos pseudos mais exagerados: Bob Dylan. A impressão que tenho é que nos últimos anos ele foi o artista internacional mais importante pra "cena indie" brasileira. Dylan está para os brasileiros como Chitãozinho e Xororó está para os americanos. Totalmente regional e parado no tempo (Chitão & Xororó cortaram o mullet, mas o que você me diria do bigodinho de vô do Dylan?).

Enquanto Caetano arrebanha fãs de Strokes com seus discos de rock numa tentativa até que bem sucedida de mudar de público, Dylan em seu disco novo continua na mesma ladainha de sempre: "Música Rock com aquela já famosa pegada country que o deixou famoso nos anos 60", já diria a Veja. Música caipira em inglês pra indie brasileiro ouvir e comentar no twitter: "Coloquei o novo do Dylan no ipod, é tão gostosinho de ouvir... RS."

Logo no começo, Life is Hard dá sinais de que algo possa prestar no disco, mas fica só nos sinais. Depois do lamento-folk-standard tudo que se segue são caipiragens cansativas do uncle joe que você poderá viver sem tranquilamente. O pior de tudo é que eu fui ouvir o disco esperando aquela linda voz anasalada do Dylan que tanta raiva me traz, e tudo que encontrei foi o Tom Waits gripado. Ainda é uma voz chata, mas já é um futuro.

A verdade é que "-nome aleatório que Dylan peidou enquanto via Seinfeld só pro disco não ser mais um com o nome dele-" é mais uma tentativa em vão de mostrar ao mundo que ele ainda é relevante, mas a verdade é que, depois de tanto tempo, ele deixou de ser músico e passou a ser só mais um tema interessante pra documentários e um nome pra músicos repetirem em entrevistas.


Bob Dylan - Together Through Life - 30
Ano: 2009
Origem: EUA
Gênero: Folk pra gente chata
IN Picks: Life is Hard
Pra quem gosta de: Mallu Magalhães, Vanguart, Virada Cultural e Dalton Trevisan.







Bob Dylan - Life Is Hard
2009-05-05 15:14

Os pesadelos de PJ Harvey são bonitos de se ver

Crítica

Os pesadelos de PJ Harvey são bonitos de se ver

  • Clubbing: PJ Harvey + John Parish
  • Na Sala Suggia. Sala 2: Kid Congo Powers & The Pink Monkey Birds, Télépathique. Parque de Estacionamento (21h30): Melanie Walz (soprano) e Remix Ensemble. Bares: DJ Apacula e Paulo Dantas, Joel Martin. Sala Roxa: Álvaro Costa. Cybermúsica: Octeto Remix.

Crítica Ípsilon por:

João Pedro Barros

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5 de 5 pessoas acharam útil a crítica que se segue.

O concerto foi cativante do princípio ao fim e é caso para dizer que os pesadelos de PJ Harvey (pessoais ou imaginários, isso não interessa) são bonitos de se ver

A colaboração entre PJ Harvey e John Parish já vem dos anos 1980, quando a cantora ainda nem tinha lançado o seu disco de estreia, "Dry" (1992).

Por isso, até é surpreendente que o recente "A Woman a Man Walked By" seja apenas o segundo álbum gravado pela dupla, depois da estreia, em 1996, com Dance Hall at Louse Point.

O método de trabalho dos dois músicos parece ser simples: Parish compõe, PJ Harvey trata das melodias e das letras. O resultado é a união entre as divagações art-rock do primeiro e o universo sombrio e melodias pouco ortodoxas da segunda. Sejamos frontais: "A Woman a Man Walked By" não é um disco tão consistente e inspirado como o registo de estreia do duo.

O seu grande motivo de interesse é mesmo o trabalho de Harvey, que parece tirar do armário uma enorme colecção de fantasmas. Há amor sinistro, morte, devastação.

Apesar de o material ser manifestamente pesado, a vocalista - livre de responsabilidades instrumentais, solta para a interpretação - conseguiu torná-lo, ao vivo, num exercício de graciosidade. O concerto foi cativante do princípio ao fim e é caso para dizer que os pesadelos de PJ Harvey (pessoais ou imaginários, isso não interessa) são bonitos de se ver.

A Woman a Man Walked By foi interpretado na íntegra, mas cinco canções de Dance Hall at Louse Point também enriqueceram o alinhamento, aberto com o single Black hearted love e Sixteen, fifteen, fourteen, claramente os temas mais imediatos do recente disco. PJ Harvey surgiu em palco descalça, com um vestido simples, e logo à segunda canção já ensaiava uma dança, fomentando uma relação de magnetismo praticamente indesmentível com a plateia. Porém, a britânica brilhou mais intensamente por outra razão: a sua voz.

Na concepção do disco, a cantora teve tempo para explorar linhas melódicas pouco óbvias, como o provam Leaving California (impressionante falsete) ou April, a que se juntaram composições anteriores como "Urn with dead flowers in a drained pool". Harvey reproduziu quase tudo de forma imaculada, como registado em estúdio.

Na banda de suporte aos dois músicos, de três elementos, destaque para o baterista Jean Marc Butty, que foi uma verdadeira locomotiva nos momentos em que a percussão pontua o dramatismo latente das canções. Reforce-se também que o espectáculo esteve longe de ser monótono: os registos explorados foram desde o blues adulterado de "Rope bridge crossing" ao folk de "The soldier" ("movido" a ukelele), passando pelo rock directo de "A woman a man walked by/The crow knows where all the little children go".

Aqui, PJ está em modo punk a ranger "I want your fucking ass" e um piano em modo assimétrico domina a segunda parte. Ou seja, há momentos menos pesados (e menos "literários") em "A Woman a Man Walked By". Em "Pig will not", a vocalista até usa um latido como refrão.

No balanço final, destaque-se o alinhamento equilibrado e inteligente, uma das razões para o espectáculo ter sido superior à soma dos trabalhos de estúdio. O concerto só terá deixado um travo amargo a quem tinha esperança em ouvir alguns temas da carreira a solo de PJ Harvey. Para esses, fica o consolo de que viram uma artista mais liberta e genuína do que em grande parte desse percurso. E não se menorize a responsabilidade de John Parish numa parceria altamente estimulante para ambos.

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